O silêncio no apartamento de Caio, no Jardins, era tão profundo que Beatriz podia ouvir o próprio coração martelando contra as costelas. O contraste era violento; o cheiro de fumaça e borracha queimada da Vila Esperança ainda estava impregnado em sua pele e em seus cabelos, mas ali, entre as paredes de mármore travertino e as obras de arte minimalistas, o mundo parecia ignorar a existência da tragédia.
Ela caminhou pelo tapete persa, sentindo-se uma intrusa. O luxo de Caio, que antes a inti