O relógio na parede da delegacia de plantão parecia zombar da urgência de Caio. O tique-taque era metálico, seco, ecoando em uma sala cujas paredes descascadas exalavam um cheiro de cigarro barato e desinfetante vencido. Sentado em um banco de madeira duro, Caio Vilela encarava as próprias mãos. Elas ainda estavam manchadas de fuligem e terra, com pequenos cortes que latejavam sob a luz fria da lâmpada fluorescente. Ele não usava mais o terno Armani; o paletó se perdera nas chamas e a cam