O despertar no pensionato da Liberdade não trouxe o alívio que Beatriz esperava. O quarto, mergulhado em um silêncio quase monástico, parecia uma redoma de vidro que a isolava da tempestade que ela mesma ajudara a convocar. O sol de 1995 filtrava-se pelas frestas das venezianas de madeira, desenhando listras de luz dourada sobre o lençol áspero. Beatriz sentou-se na cama, sentindo cada músculo do corpo protestar. O cheiro de incenso e madeira velha do casarão era um contraste violento com