O clima na casa mudou.
Não era euforia.
Era um tipo de calma que chega depois da tempestade — aquela que não promete paz eterna, mas permite respirar.
Eu já dormia no quarto de Guilherme.
Não como segredo, não como culpa.
Como escolha.
As crianças sabiam.
Dona Mirtes sabia.
Seu Sebastião sabia.
E ninguém fez drama.
Era só… a vida seguindo.
Na manhã de domingo, estávamos todos na cozinha.
Pão quente, café, cheiro de bolo. Pedro falava sem parar sobre dinossauros. Sofia explicava — minuciosamente — como seria sua próxima apresentação.
Eduardo chegou sorrindo, sem bater.
— Bom dia, família em transição.
Renata veio logo atrás, com uma sacola de frutas.
— Ele acordou irônico — disse. — Mais que o normal.
Eduardo sentou, serviu café, olhou para mim, depois para Guilherme… e arqueou uma sobrancelha.
— Então — começou — vou fazer aqui um parecer jurídico-afetivo.
Guilherme suspirou.
— Lá vem.
Eduardo apontou para o corredor.
— A Olivia continua com metade das coisas no quarto antigo, metade