Existem verdades que não explodem.
Elas ficam lá — quietas, escondidas — corroendo por dentro.
Eu sempre soube que havia algo mais na dor de Guilherme.
Não era só o luto. Era outra coisa — mais funda, mais silenciosa.
O estopim veio numa tarde cinza, quando Eduardo chegou com cara de quem carrega uma pasta cheia de problemas.
— Precisamos conversar — disse.
Guilherme estava no escritório. Eu estava organizando as coisas das crianças, mas, quando ouvi o tom, entendi: aquilo não era rotina.
Renat