A sala da dona Miriam estava leve, acolhedora, quase um respiro depois da manhã intensa. Ariana se sentia… não exatamente tranquila, mas confortável.
Samuel conversava animado com a tia, mão repousada de forma despretensiosa sobre a perna dela, e ela tentava ignorar o frio na barriga que aquele gesto trazia.
Havia bolo na mesa, cheiro de café fresco, e a risadinha de Luiza vindo do sofá, perdida no tablet.
E então a porta abriu.
Ariana sentiu o corpo inteiro gelar, como se tivesse tomado um choque.
Eduardo entrou primeiro, com Rafael no colo, descabelado, cansado, a camiseta amarrotada da noite no posto de saúde. Bianca vinha ao lado, pálida, exausta, com os olhos fundos de quem não dormiu um minuto.
O mundo, que dois segundos antes parecia leve, ficou pesado, cheio.
Ariana sentiu o coração bater no pescoço.
Os olhos de Eduardo a acharam em menos de um segundo.
E, quando encontraram, ela viu.
A raiva.
O ciúme.
A mágoa.
E algo parecido com incredulidade.
Samuel ergueu os olhos