Mundo ficciónIniciar sesiónNa 999ª vez em que dividiram um quarto de hotel, ele se mostrou tão selvagem e insaciável quanto de costume. Na manhã seguinte, Zélia Silva exibia marcas avermelhadas por toda a pele, sentindo o corpo inteiro reclamar de dor a um simples movimento. A atmosfera no ar ainda carregava uma intimidade densa quando os braços compridos de Lucas Neves a envolveram pela cintura. Aproveitando o calor da pele dela contra o próprio peito, ele comentou num tom de total descaso: — Separa uma roupa mais formal para amanhã e vem para casa comigo. Ao escutar isso, Zélia ergueu o rosto de supetão, os olhos brilhando com uma expectativa nítida. — Você, enfim, decidiu... assumir o nosso namoro para todo mundo? — Perguntou ela, a voz carregada de esperança.
Leer másO inverno rigoroso cedeu lugar à brisa amena da primavera. Naquele clima de renovação, a família Silva recebeu uma aguardada ligação dos advogados no Brasil. Após um longo e exaustivo processo, que se arrastou desde a primeira instância até os recursos finais, a culpa de Juliana como mandante dos crimes foi confirmada por lei, resultando em sua condenação na cadeia. Ver a responsável pagando por suas maldades trazia um alívio imenso e servia como o melhor consolo possível para os que sofreram em suas mãos. E, como se o destino quisesse celebrar a ocasião, a notícia chegou justo no dia do aniversário de João.Para comemorar a data e a sensação de justiça feita, Agatha assumiu o comando da cozinha e preparou um banquete caprichado, reunindo os três ao redor da mesa para um brinde especial. Já fazia quase seis meses que haviam se mudado para a Espanha, e Zélia se sentia cada vez mais adaptada àquela rotina. Embora a mudança trouxesse seus desafios de adaptação, descobrir as novidades d
Três dias se passaram até que Lucas retornasse a São Paulo, carregando apenas a própria companhia. Ao chegar em casa, notou que as luzes do casarão ao lado estavam acesas novamente. O mordomo o informou de que a família Silva havia liquidado todos os seus bens no país e que os novos proprietários já haviam se mudado há alguns dias. Aquela notícia foi o choque de realidade que faltava, pois não havia mais volta. Trancado no próprio quarto, Lucas atravessou a madrugada de olhos abertos, consumido pela angústia.Na manhã seguinte, ao observar pela janela, viu os novos vizinhos desmontarem o balanço que ficava no jardim. As delicadas cortinas em tons de rosa e branco foram substituídas por panos em um tom verde escuro, e o mensageiro dos ventos feito de conchas, que antes enfeitava a entrada, foi cortado e jogado no lixo sem o menor pudor. Pouco a pouco, qualquer vestígio da existência de Zélia e de sua família estava sendo apagado daquele mundo. Impotente, restava a Lucas afogar as mág
Cada palavra proferida por ela foi como um golpe de gelo, congelando o coração de Lucas por completo. Ele a observou partir, impotente, sentindo os braços cederem ao peso do próprio corpo enquanto seus olhos, já exaustos, marejavam com lágrimas silenciosas. A respiração se tornou curta e ofegante, sufocada por uma onda avassaladora de desespero e fraqueza que o engoliu. Ele permaneceu imóvel naquele canto sombrio do salão por um tempo que pareceu infinito, até que o garçom se aproximou para avisar que o restaurante estava fechando. Só então ele despertou do torpor, estendendo a sacola que ainda apertava nas mãos e implorando para que o funcionário lhe fizesse um favor.A compressa quente ajudou a diminuir o inchaço, mas a dor latejante na perna de Zélia persistia implacável. Entre os cuidados com o machucado e a confusão do momento, ela acabou pulando o jantar. Preocupados, João e Agatha foram até o quarto dela levar um prato de bife. Ao verem a gravidade do ferimento, não conseguir
Logo nas primeiras horas da manhã seguinte, a família Silva já estava com as malas prontas para viajar até a estação de esqui. Ao sair pela porta e não encontrar sinal de Lucas, Zélia soltou um longo suspiro de alívio e arrastou a sua bagagem em direção ao porta-malas do carro. Assim que acomodou as coisas, ouviu o pai soltar uma exclamação de surpresa.— Ué, o que é isso aqui? Filha, você esqueceu o presente de algum vizinho na soleira da porta?Virando-se, ela franziu a testa ao reconhecer a caixa familiar. Apressou o passo, pegou o pacote das mãos do pai e o entregou direto ao mordomo. Pelo celular, enviou o endereço da família Neves com uma instrução clara. Ela queria que aquilo fosse despachado de volta para o Brasil o mais rápido possível.A atitude atiçou a curiosidade de João e Agatha, que passaram boa parte do trajeto tentando descobrir quem havia enviado o mimo. Sem saída e incapaz de sustentar uma mentira para os pais, Zélia abriu o jogo e contou tudo, aproveitando para com
Último capítulo