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Mih Wilde
Finalmente o dia que todos esperavam chegou. Menos eu. Se pudesse congelar o tempo ou apagar o dia 11 de março da minha existência, eu o teria feito. Eu queria, do fundo do meu coração, não ter que completar dezoito anos hoje. Para a maioria das garotas, a maioridade é o símbolo da liberdade; para mim, Mih Wilde, era o início de uma sentença de prisão perpétua banhada a ouro e aparências. — Você está linda, filha — a voz de minha mãe, Greice, ecoou pelo quarto. Virei-me lentamente, o peso do vestido de noiva arrastando-se pelo chão. No espelho, eu parecia uma boneca de porcelana: meus 1,50 metros de altura sumiam sob as camadas de tule, meus longos cabelos loiros iam até a cintura e meus olhos azul-claro brilhavam com lágrimas contidas. — Obrigada, mãe — respondi com um sorriso forçado. O aperto no peito era sufocante. Como meu avô, Antônio, pôde me prometer, com uma semana de vida, a um homem vinte e um anos mais velho? Um ator famoso com fama de mulherengo que eu passei a vida odiando e rejeitando sem sequer conhecer. — Está nervosa? — minha mãe perguntou, ajeitando meu véu. — Sabe o que eu acho sobre esse casamento, mãe. Sinto que estou sendo vendida para unir nosso império cinematográfico à família Mendes. — Eu sei, querida. Mas você verá que o Gabriel é lindo, atraente e bondoso. É um ator talentoso de família rica. Quem sabe você não se apaixona assim que o vir? Antes que eu respondesse, meu pai, Marcos, entrou no quarto com um sorriso que desapareceu ao me ver. — O que foi, pai? Não gostou? — perguntei. — Não é isso... Minha filhinha está tão linda que não acredito que vou perder meu bem mais precioso para outro homem. — Nossa princesinha cresceu — consolou minha mãe. Logo, as portas para a grande escadaria se abriram. Ao som da marcha nupcial, segurei firmemente o braço de meu pai. Minhas mãos tremiam. No topo das escadas, meus olhos procuraram o fim do salão, e meu coração falhou uma batida. Lá embaixo estava ele. Gabriel Mendes era o homem mais imponente que já vi. Tinha 1,99 metros de altura, cabelos loiros impecáveis e um corpo atlético perfeito sob o terno sob medida. Seus olhos verdes eram intensos e focavam exclusivamente em mim. Respirei fundo, tentando forçar o sorriso mais verdadeiro possível enquanto descia os degraus. Ao chegarmos ao final, Gabriel deu um passo à frente. Minha estatura parecia minúscula perto da dele. — Gabriel, te entrego agora a mão da minha filha — disse meu pai, emocionado. — Cuide bem dela. Ela é minha única filha. Gabriel segurou minha mão pequena e a beijou delicadamente. — Não se preocupe, senhor Wilde. Cuidarei muito bem dela — respondeu com sua voz profunda e aveludada. Ele olhou nos meus olhos. — Você está linda. — Obrigado — sussurrei baixinho enquanto caminhávamos para o altar. Durante a cerimônia, minha mente desligou. Eu só ouvia o som do meu coração e sentia o calor da presença dele. Voltei à realidade quando Gabriel apertou suavemente minha mão esquerda. — Ah? — pisquei, perdida. Um murmúrio correu pelos convidados. O celebrante sorriu e repetiu a pergunta: — Mih Wilde, você aceita Gabriel Mendes como seu marido? Olhei para a aliança e engoli em seco. — Sim — respondi, firme. Trocamos as alianças e chegou a hora do beijo. Eu esperava algo formal, mas Gabriel passou a mão firmemente pela minha cintura e a outra pela minha nuca, puxando-me contra seu peito largo. Ele tomou meus lábios em um beijo profundo, cheio de desejo e intensidade física. Nos separamos sob uma chuva de aplausos, o que pareceu irritá-lo. A festa seguiu nos jardins luxuosos da propriedade. Assim que pude, me afastei de Gabriel, querendo espaço. Ele conversava com produtores de cinema, mas seus olhos verdes me monitoravam à distância. De repente, ele caminhou em minha direção, atraindo os olhares de todos e os flashes dos jornalistas. Gabriel ajoelhou-se na grama à minha frente. Miguel, seu melhor amigo, aproximou-se e entregou-lhe uma caixa de veludo. Dentro dela havia um colar de diamantes e uma safira monumental, uma joia exclusiva que eu já tinha visto ser vendida por uma fortuna na TV. — Queria te oferecer um presente de casamento único. Espero que goste — ele disse, levantando-se. Gabriel contornou meu corpo, afastou meus cabelos e prendeu o colar no meu pescoço. O toque frio do metal me fez estremecer. — Obrigado — murmurei baixinho. Ele sorriu de lado e me puxou para uma dança. Dançamos por um bom tempo, até que meus pés começaram a doer por causa dos saltos. Percebendo meu desconforto, ele me levou até a mesa onde Miguel estava sentado. — Mih, este é o Miguel, meu amigo — apresentou Gabriel. — Muito prazer — respondi educadamente. Nesse momento, meus pais se levantaram para chamar a atenção de todos os presentes. — Já que meu genro deu seu presente à minha princesinha — disse meu pai ao microfone, fazendo uma pausa —, nós temos um presente para vocês dois! Como agora estão casados e precisam construir sua família, nosso presente é uma mansão à beira-mar. Minha princesinha sempre quis uma casa de frente para o oceano, agora terá! Os convidados aplaudiram entusiasmados. Olhei para a joia em meu peito e depois para Gabriel, sentindo que aquela mansão seria a minha prisão perfeita sob o controle do meu novo e possessivo marido.






