Mundo ficciónIniciar sesión— Srta. Sara, a senhora tem certeza de que quer doar todos os órgãos? — Sim, eu tenho certeza. Depois de dizer isso, Sara Torres até puxou um sorriso, como se tivesse se libertado. O médico ficou um instante sem reação e voltou a aconselhar: — Mesmo que o câncer já esteja em estágio intermediário a avançado, se a senhora for internada e tratar com empenho, talvez consiga prolongar a vida.
Leer másA família foi de carro rumo ao norte. Ainda faltava um tempo para o casamento, então eles foram viajando e passeando no caminho. Na faculdade, Sara invejava os colegas que podiam viajar pra todo lado, afinal, depois de perder os pais, ela só conseguia manter a própria vida do jeito que dava.Mesmo sendo muito próxima de Isabela, ela não tinha coragem de aceitar de verdade que a outra bancasse tudo e levasse ela pra passear por aí.Sara tinha se recuperado muito bem. Quando passaram por uma província famosa por montanhas, Luís levou Sheila e ela pra subir uma delas. O processo foi bem sofrido, mas, quando chegaram no topo, a sensação foi de respirar aliviada.Como se fosse o renascer dela nesses últimos seis meses.Quando chegaram em Cidade J, Helena levou todo mundo correndo pra casinha de dois andares que ela e Miguel tinham comprado com financiamento. Nesses anos, Miguel tinha trabalhado como vendedor numa empresa do Arthur e, por acaso, tinha ido muito bem.— Ele é bom mesmo.Qua
— Ainda não. O médico disse pra eu ficar mais uns quinze dias em Cidade J. Se a revisão daqui a quinze dias estiver ok, aí sim está ok.Arthur assentiu.O olhar dele passeou pelo rosto de Sara, como se nunca cansasse. Ele desenhava cada traço com um olhar triste e cheio de sombra. Sara estendeu a mão, puxou a mão dele, a que estava com o relógio, e soltou devagar a pulseira, olhando a cicatriz feia.Como se o lado mais feio dele tivesse sido exposto na frente dela, naquele instante Arthur sentiu medo. Ele quis puxar a mão de volta, mas Sara segurou firme o pulso dele. O olhar dela parecia ter peso, queimava, e doía até nos ossos dele.— Por que você fez isso?— Porque eu me odeio. — Disse Arthur, baixo. — Se não fosse eu, você não teria passado por tanta coisa nesses anos.Sara sorriu um pouco e soltou a mão dele.— Arthur, eu não te odeio. — Ela disse, séria. — Nesses cinco anos, eu não fiz tudo só pra pedir seu perdão. Eu estava sofrendo pela Isabela.— Sim. Do ponto de vista da
A irmã de Luís, naquela época, tinha largado o cargo que ela tinha conseguido com tanto esforço e, sem hesitar, tinha ido pro exército como médica militar, mesmo que isso significasse cortar relações com a família. Helena sempre achou ela muito corajosa, então ficou abatida por um bom tempo quando recebeu a notícia da morte dela.— Minha irmã foi ser médica militar porque o marido dela era militar. A Sheila é filha dos dois. Pouco tempo depois que ele sofreu o acidente, a Sheila foi confiada a mim.Só então Helena soube a verdade. Ao ouvir uma história tão pesada, ela ficou triste. Olhou para o quarto, onde Sheila estava deitada direitinho ao lado de Sara.— Mas a Sara criou a Sheila muito bem, não foi? — Luís sorriu um pouco. — Não precisa ficar com pena dela. Agora ela tem uma mãe muito boa. E depois vai ter eu, um pai muito bom. Só que a Sheila já deve estar acostumada a me chamar de tio.Helena ainda estava sem jeito. Como parente de Luís, ela não tinha percebido de primeira a rela
Helena olhou, sem saber o que fazer, para aquele lado frágil que ele deixava escapar. Por algum motivo, ela não queria ver Arthur tão pra baixo, tão triste. Ela hesitou um pouco:— Eu sei que eu estou passando do limite, Sr. Arthur. O senhor já pensou em explicar tudo direito pra Sara? E a Sheila, será que ela não pode ser sua filha?— Não. — Arthur soltou um sorriso amargo e balançou a cabeça. — Se fosse, seria melhor.Helena era nova demais. Ela não sabia o tamanho da dor e do arrependimento que aquele suspiro carregava. Arthur nunca ia conseguir se perdoar pelo que tinha feito.— Fratura.O médico avaliou por alto a lesão de Arthur e olhou o rosto dele.— Você ainda está com febre?Ele estendeu a mão pra encostar na testa dele. Arthur, educado, levantou a mão pra impedir. Ele sabia que a febre alta era por causa do abuso de remédios de madrugada e por ter ficado na janela pegando vento. Ele não deu importância e só assentiu.— Eu vou engessar. Mas agora tem coisa mais importante.He
Último capítulo