CAPÍTULO 8
No sábado, Sara foi a um reencontro de turma.

Ela queria ver aquelas pessoas pela última vez, queria se despedir da própria juventude, uma última vez.

Mas Sara não esperava que Arthur também fosse aparecer.

Ele nunca gostou desse tipo de evento social. Antes, era ela e Isabela que arrastavam ele pra ir.

Só que hoje ele não só apareceu, como ainda levou Elisa com ele.

A galera bebia, cantava, conversava. Não demorou, e já começaram a gritar pra jogar.

— Bora, bora. Jogo da roleta. Quem cair tem que fazer o que estiver no verdade ou desafio!

Arthur saiu pra atender uma ligação de trabalho e ficou de fora. Sara não sabia muito bem jogar, mas mesmo assim puxaram ela pro meio.

A roleta girou, e já na primeira rodada parou em Sara.

O desafio dizia, beijar por dez minutos a próxima pessoa que entrasse pela porta.

Sara segurou aquele papelzinho com força e ficou em silêncio.

Elisa, toda satisfeita, disse:

— Sara, eu sei que você é toda certinha. Se não aguentar brincar, então ajoelha e limpa meu sapato. Aí o desafio fica pago.

Sara olhou pra cara dela, cheia de provocação, e fechou os dedos com força.

Ela ia morrer mesmo. O que importava beijar alguém?

Então ela falou com calma:

— Eu escolho o desafio.

Elisa não se surpreendeu. Pelo contrário, o sorriso dela ficou ainda mais largo, e um brilho passou no olhar.

Do outro lado, no corredor.

Arthur terminou a ligação e, quando virou, viu um mendigo todo maltrapilho vindo animado.

Ele ainda estava no telefone, se gabando pro amigo:

— Acabei de pegar um trampo grande. Tem gente querendo sacanear uma gata. Mandaram eu ir lá beijar ela.

O mendigo desligou e já chegou na porta da sala.

Ele guardou o celular, passou a mão na boca de um jeito nojento e foi empurrar a porta.

Só que, no instante em que ia entrar, alguém agarrou ele com força.

— Sai da frente.

Arthur disse com a cara fechada e entrou na sala antes dele.

Quando a turma viu que quem entrou foi Arthur, ficou todo mundo mudo na hora.

O rosto de Elisa mudou na mesma hora.

Como assim?

Sara também olhou pra Arthur, meio sem reação.

Arthur, por outro lado, parecia não ter ideia do que estava acontecendo. Ele falou, frio:

— O que foi? Por que estão me olhando?

Alguém respondeu, sem jeito:

— A Sara caiu no desafio. Ela tem que beijar por dez minutos a primeira pessoa que entrar.

Arthur se sentou com calma, claramente sem a menor intenção de cumprir.

— Que coisa idiota.

Elisa também se apressou:

— Isso, isso. Esquece essa rodada.

Todo mundo sabia que Arthur tinha noiva, então trataram de passar pra outra e fingir que nada tinha acontecido.

O reencontro acabou.

Num canto sem ninguém, Elisa xingou o mendigo:

— Eu não mandei você entrar logo?

O mendigo fez cara de inocente:

— Eu juro que não foi culpa minha. Foi aquele cara que me puxou com força. Eu até acho que ele fez de propósito.

Só de lembrar que Arthur ainda tinha protegido Sara, o rosto de Elisa ficou péssimo.

Dois anos de noivado, e ele nunca falava em casamento.

Quanto mais ela pensava, mais subia a raiva. Ela mandou o mendigo embora e fez uma ligação.

No dia seguinte, Arthur foi chamado pelos pais pra ir em casa.

— Vocês me chamaram pra quê?

Dona Teresa perguntou, já irritada:

— Eu quero saber uma coisa. Quando você vai se casar com a Elisa? Vocês estão noivos faz tempo. A Elisa já veio reclamar. A família dela quer que vocês se casem logo.

Arthur não mudou a expressão:

— A empresa está muito ocupada.

— Desculpa. Só desculpa. — Dona Teresa foi direto. — Não pensa que eu não sei. Você não quer se casar com a Elisa porque ainda não esqueceu a Sara!

A mão de Arthur parou no meio do caminho, no instante em que ele levava a xícara. O olhar dele esfriou na hora.

Dona Teresa viu a reação e entendeu que tinha acertado.

A raiva dela subiu mais.

— Você e a Sara nunca vão dar certo!

Ela puxou Arthur até a foto de Isabela.

— Você quer mesmo trazer pra dentro de casa alguém que matou sua irmã?

— Eu sei que o verdadeiro culpado não foi ela. Mas ela causou a morte da Isabela, mesmo que indiretamente. A Isabela morreu pra proteger ela. Se ela não tivesse fugido, a Isabela não teria morrido daquele jeito. Ela podia ter tido uma chance, nem que fosse mínima. A gente não engole isso. De jeito nenhum ela entra nessa família, a não ser que eu morra também!

Dona Teresa xingava e chorava ao mesmo tempo. No fim, abraçou a foto de Isabela e desabou, chorando sem conseguir parar.

Olhando o rosto jovem e ainda tão infantil de Isabela na foto, e vendo a mãe chorando daquele jeito, Arthur sentiu como se tivesse alguma coisa esmagando o peito, e ele não conseguia respirar.

Ele falou rouco, dizendo o que já sabia fazia tempo:

— Eu não vou me casar com a Sara.

Mas pra Dona Teresa não bastava. Ela insistiu:

— Então promete pra sua irmã. Na frente dela. Que você vai se casar com a Elisa.

Arthur ficou em silêncio por um segundo, dois, três.

No fim, ele falou devagar:

— Eu vou me casar com a Elisa.
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