CAPÍTULO 6
No dia seguinte, Sara pediu folga.

Ela foi até uma igreja.

Perto da Cidade J, havia uma igreja conhecida por ser muito frequentada.

Nesses últimos anos, ela tinha ido lá incontáveis vezes. Toda vez, ela ajoelhava diante do altar por um bom tempo.

Pra rezar pela alma de Isabela, pra que Deus a recebesse.

Pra pedir proteção e saúde pra Arthur, pra que Deus cuidasse dele.

Mas depois disso, talvez ela não tivesse mais chance de voltar.

Dessa vez, ela se ajoelhou diante da imagem de Nossa Senhora, na entrada da capela.

Diziam que, se alguém mostrasse a própria fé de verdade, podia fazer um pedido especial na igreja.

Quando a noite caiu, começou uma chuva gelada, e o vento apertou.

O frio batia no corpo de Sara. Ela ficou tonta, com a cabeça rodando.

Uma dor violenta tomou o corpo inteiro dela. Doía tanto que, mesmo naquele frio, a testa dela se encheu de suor fino.

Ela tremia sem parar. Até que, de repente, ela cuspiu a primeira golfada de sangue.

Mesmo assim, Sara não se levantou. Ela ficou ajoelhada um dia e uma noite.

Quando amanheceu, um funcionário da igreja viu que metade do corpo dela já estava coberta de gelo e água, e foi na direção dela.

Só então ele notou que no chão havia uma mancha de sangue.

— A senhora tá bem? A senhora está aqui pedindo o quê?

Sara estava pálida. Ela se levantou cambaleando, juntou as mãos em oração e rezou.

— Eu queria pedir duas velas de 7 dias... e uma medalha abençoada.

Velas de 7 dias, diziam que, acesas em intenção de quem já se foi, ajudavam a entregar aquela alma nas mãos de Deus.

Quando conseguiu o que queria, Sara foi direto pra empresa, tremendo de fraqueza.

Era a única coisa que ela ainda podia deixar pra eles antes de ir embora.

Mas Sara sabia que Arthur não ia aceitar nada vindo dela, então ela só esperou o horário do almoço, quando não tinha ninguém, e deixou o saco com as velas em cima da mesa dele, escondido.

Quanto à medalha abençoada, ela pensou em, quando tivesse uma chance, deixar escondida no carro dele.

Depois de descer, Sara não foi embora.

Ela queria saber se Arthur levaria as velas com ele, então ficou esperando lá embaixo, na frente do prédio, até ele sair.

Às seis e meia, Arthur desceu, com a sacola na mão.

Os olhos de Sara se acenderam, mas então ela viu ele entregar a sacola ao assistente e apontar uma direção.

Era...

A direção do lixão.

Sara foi atrás.

E viu o assistente indo mesmo até o lixão ali perto, pronto pra jogar tudo fora.

Sara entrou em pânico. Quando viu o assistente levantando a mão pra jogar a sacola, ela correu:

— Não joga!

Ela arrancou a sacola da mão dele, mas viu que não tinha nada dentro.

No instante seguinte, a voz fria de Arthur soou atrás dela:

— Eu sabia que era você.

A cabeça de Sara ficou em branco. Ela virou devagar, e viu que as velas estavam na mão dele.

O assistente foi embora.

Arthur veio na direção dela com as velas, a voz cortante:

— Você acha que, fazendo uma besteira dessas, você paga o que você deve pra Isabela?

— Eu só queria dar a ela a última coisa. — Ela não explicou mais, e falou com a voz tremendo.

Arthur quebrou as velas na mão.

— Não!

Sara se jogou pra impedir, mas só conseguiu ver as velas virarem duas partes e Arthur jogar no lixo.

No movimento, ele não percebeu que outra coisa caiu do bolso dela.

Arthur pegou num reflexo. Era uma medalha abençoada.

Os dedos de Sara apertaram.

E ela ouviu a voz dele, fria, misturada com deboche:

— Você vive falando em pagar pelo que fez, e ainda vem pedir proteção pra você mesma? Sara, você continua igual, morrendo de medo de morrer.

Ele soltou uma risada fria e jogou aquilo.

A medalha caiu bem numa poça de água no chão.

— E você acha que merece proteção? A sua vida inteira tem que ser sofrimento.

Ele largou essa frase e foi embora, gelado.

Só Sara ficou ali.

Parada, olhando, sem reação, para as duas coisas que ela tinha conseguido com tanto esforço serem desperdiçadas.

Como se a vida dela, no fim, fosse só isso, um sonho vazio que desmoronou.
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