O dia começou com uma sensação estranha, como se o ar estivesse mais denso. Júlia percebeu isso ainda na primeira xícara de café, quando o silêncio entre ela e Daniel não era vazio, mas carregado. Havia coisas se movendo nos bastidores da vida, mesmo que ninguém tivesse anunciado nada em voz alta.
— Você está pensativa — Daniel comentou, observando-a por cima da caneca.
— É como se algo estivesse prestes a acontecer — Júlia respondeu. — Não sei explicar.
Ele sorriu de leve.
— Normalmente você está certa quando sente isso.
Ela riu, mas o sorriso não se sustentou por muito tempo.
Poucas horas depois, o interfone tocou.
Júlia estava sozinha em casa naquele momento. Daniel havia saído para resolver assuntos pendentes antes da chegada dos pais dela. Quando atendeu, a voz do porteiro veio cautelosa:
— Júlia, tem uma pessoa aqui dizendo que precisa falar com você. É urgente.
— Quem é? — perguntou, já sentindo o estômago se contrair.
Houve uma pequena hesitação.
— Helena.
O nome caiu como uma