A noite passou mais tranquila do que Júlia imaginava.
Depois do encontro com Helena, ela esperava aquele cansaço emocional tardio, a ressaca silenciosa que vinha sempre depois de confrontos difíceis. Mas o que sentiu foi diferente. Havia um peso leve no corpo, como depois de um exercício intenso, e uma clareza calma na mente. Pela primeira vez, enfrentar o passado não tinha aberto feridas antigas. Tinha apenas confirmado que elas já não sangravam.
Acordou cedo, antes do despertador. A luz da manhã entrava suave pela janela, desenhando sombras no chão da sala. Júlia ficou alguns minutos sentada na cama, respirando fundo, sentindo o próprio corpo presente ali, inteiro, firme.
— Eu não tremi — murmurou para si mesma.
Era um detalhe pequeno, quase insignificante. Mas, para ela, significava tudo.
Preparou café e sentou-se à mesa com o caderno aberto. Escreveu sem pensar demais, deixando as palavras saírem como vinham:
Não preciso vencer ninguém.
Não preciso ser escolhida.
Eu fico onde há v