O aeroporto nunca pareceu tão barulhento.
Júlia percebeu isso no instante em que atravessou o portão de desembarque, a mala puxada atrás de si, o coração batendo forte demais para um corpo que já tinha atravessado tanto. O som das vozes, das rodinhas no chão, dos anúncios metálicos parecia distante, como se tudo estivesse acontecendo em outra camada da realidade.
Ela procurou Daniel com o olhar sem pressa, mas com urgência interna.
E então o viu.
Ele estava encostado perto da grade, as mãos nos bolsos do casaco, o corpo levemente inclinado para frente como se estivesse tentando antecipar o tempo. O olhar sério se desfez no instante em que encontrou o dela. Não sorriu de imediato. Apenas respirou fundo, como quem precisava confirmar que aquilo era real.
Júlia parou por um segundo.
Não correu.
Não acelerou.
Caminhou.
Cada passo parecia carregar os dias que viveram separados. As noites longas. As conversas interrompidas. O desejo contido. O medo administrado. Quando ficou diante dele, o