Os dias seguintes passaram com uma leveza quase desconcertante. Não porque nada pudesse dar errado, mas porque Júlia e Daniel já não viviam na defensiva. Eles acordavam juntos, dividiam tarefas, riam de pequenas bobagens e, aos poucos, o noivado deixava de ser apenas uma promessa para virar algo palpável.
Naquela manhã, Júlia estava sentada no chão da sala, cercada por revistas, anotações e o caderno onde escrevia desde o acidente. Daniel a observava do sofá, fingindo ler, mas atento demais a cada expressão dela.
— Você está com essa cara há vinte minutos — ele comentou. — Isso é concentração ou pânico?
Júlia levantou o rosto e riu.
— É… descoberta.
— Descoberta de quê?
— De que eu não faço ideia de como planejar um casamento — respondeu. — E, sinceramente, isso não me incomoda nem um pouco.
Daniel fechou a revista.
— Ótimo. Porque eu também não faço.
Ela se levantou e sentou ao lado dele.
— Eu não quero um casamento que pareça um espetáculo — disse, pensativa. — Quero algo que pareça