A primeira noite depois do jantar com os pais de Júlia foi estranhamente silenciosa. Não pelo cansaço, nem pela falta de assunto. Era um silêncio cheio de significados novos, como se algo tivesse se acomodado no lugar certo.
Júlia estava sentada na cama, o caderno apoiado sobre as pernas, mas sem escrever. Daniel saiu do banheiro enxugando os cabelos com a toalha, observando-a com aquele olhar atento que nunca invadia, apenas permanecia.
— Você travou — ele comentou, com um meio sorriso.
— Não — ela respondeu. — Eu estou escutando.
— Escutando o quê?
Ela levantou o olhar.
— A mim mesma.
Daniel se sentou ao lado dela, encostando as costas na cabeceira.
— E o que você está dizendo?
Júlia fechou o caderno e o colocou sobre a mesa de cabeceira.
— Que eu nunca imaginei que o amor pudesse ser assim — disse. — Sem urgência. Sem medo de perder. Sem aquela sensação constante de que eu precisava me moldar para caber.
Daniel ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo.
— Eu também precisei