Júlia acordou com o peso suave do anel ainda estranho no dedo. Não era desconforto. Era consciência. Aquele pequeno círculo brilhava como um lembrete silencioso de tudo o que tinha sido escolhido, não por impulso, mas por travessia.
Daniel ainda dormia, de barriga para cima, a respiração calma, como se o corpo dele finalmente tivesse aceitado que não precisava mais lutar contra nada. Júlia virou-se de lado, apoiando o cotovelo, observando-o com uma ternura quase reverente.
Ela pensou em quantas versões de si mesma existiram até ali.
A Júlia que acreditava que amor era insistir.
A Júlia que confundia espera com lealdade.
A Júlia que perdeu a memória… e ganhou clareza.
E agora, aquela que acordava noiva sem sentir medo.
Quando Daniel abriu os olhos e encontrou o olhar dela, sorriu imediatamente.
— Está me olhando desse jeito há quanto tempo? — perguntou, ainda meio sonolento.
— Tempo suficiente para entender que isso é real — ela respondeu.
Ele se aproximou, puxando-a para perto.
— Arre