O convite chegou numa tarde comum demais para anunciar algo importante. Júlia estava sentada no sofá, folheando o caderno onde vinha escrevendo pequenos fragmentos da própria reconstrução, quando Daniel entrou com um envelope simples nas mãos.
— Isso chegou pra você — ele disse, estendendo-o.
Júlia franziu a testa.
— Pra mim?
— Para os dois — ele respondeu, com um meio sorriso que denunciava nervosismo.
Ela abriu o envelope com calma. Era discreto, sem logotipo chamativo. Dentro, uma folha dobrada com poucas palavras: convite para audiência final do processo. Data. Hora. Assinatura.
O coração dela bateu um pouco mais rápido, mas não houve pânico.
— Então é isso — ela murmurou. — O último passo.
Daniel se sentou ao lado dela.
— Não precisa ir se não quiser — disse. — Posso resolver tudo.
Júlia fechou o envelope e colocou sobre a mesa.
— Eu quero ir — respondeu, firme. — Não por ela. Por mim. Quero fechar esse ciclo olhando de frente.
Daniel assentiu, respeitando.
— Então a gente vai ju