Meus pés doem. Minhas costas também. Mas ainda não decidi o que dói mais: o corpo ou a cabeça.
Depois de três plantões seguidos e uma emergência atrás da outra, consigo tirar uns minutos pra respirar. Tecnicamente, é minha “hora de almoço”, mas residentes não têm isso. Temos espaços roubados entre cirurgias, exames e a exaustão.
Estou indo em direção à máquina de café quando vejo Murilo parado na entrada do refeitório.
Meu corpo enrijece no mesmo instante.
Ele me vê e força um sorriso contido