Mundo de ficçãoIniciar sessãoNeste romance contemporâneo de poder feminino e identidade oculta, ele fez a esposa desaparecer. Em um renascimento, com o coração partido, ela voltou para seduzir seu irmão em um relacionamento secreto e destruir seu império. Meu marido tentou me queimar viva durante o truque que eu mesma criei. Por anos, fui a mente secreta por trás do ilusionista mais famoso do país. Enquanto ele recebia aplausos, fama e fortuna, eu permanecia nos bastidores, criando cada mecanismo e aceitando ser apenas sua assistente por acreditar em nosso amor. Até descobrir que ele me traía com minha melhor amiga. Quando o confrontei, meu marido transformou nosso último espetáculo em uma armadilha mortal. Presa dentro de uma caixa em chamas, percebi que ele pretendia me matar, receber o seguro e começar uma nova vida com sua amante. Mas eu sobrevivi. Com o rosto marcado pelo fogo e uma nova identidade, retorno como uma ilusionista misteriosa. Meu plano é conquistar o público, recuperar tudo o que ele roubou e destruir seu império usando os mesmos truques que o tornaram famoso. Para me aproximar sem ser reconhecida, seduzo seu irmão, o bombeiro que procurou sobreviventes na noite do incêndio. Ele deveria ser apenas uma peça na minha vingança. O problema é que estou me apaixonando pelo único homem que jamais poderá descobrir quem realmente sou.
Ler maisEu estou sendo assassinada pela pessoa que eu mais amo.E tenho menos de um minuto para escapar desta caixa em chamas.
O fogo sobe pelas paredes transparentes, alimentado pelo combustível cenográfico que eu mesma escolhi. Em condições normais, as chamas jamais alcançariam o interior da estrutura. Mas a temperatura já ultrapassou qualquer limite de segurança, e o ar que entra pelas frestas queima meus pulmões.
Tateio a lateral da caixa até encontrar a trava principal. Giro o mecanismo uma vez, depois outra, mas ele não se move. O metal está deformado, como se alguém tivesse alterado a peça antes do espetáculo e esperado que o calor terminasse o trabalho.
Do lado de fora, a plateia vibra.
Para todos eles, ainda é apenas um truque. Dante ergue os braços diante do palco, recebendo os aplausos enquanto sua esposa luta para não morrer a poucos metros dele. O público acredita que eu surgirei no meio do teatro quando o cronômetro chegar ao fim.
Foi assim que projetei a ilusão.
Eu só não planejei ser deixada dentro dela.
Procuro o encaixe do pino de emergência sob o piso falso. Mesmo que a trava principal falhasse, aquela peça liberaria toda a lateral da caixa. Meus dedos encontram o compartimento, mas não o pequeno cilindro metálico que deveria estar ali.
O pino foi retirado.
Um gosto amargo invade minha boca. Não é fumaça. É a certeza de que nada daquilo aconteceu por acaso.
Como permiti que meu amor por Dante me conduzisse até minha própria execução?
♠ ♦ ♣ ♥
Horas antes, abro a porta do camarim sem bater. Quero contar a Dante que finalmente encontrei uma maneira de tornar o desaparecimento mais rápido, mas as palavras morrem antes de saírem.
Lorena está diante do espelho, fechando o robe sobre o corpo. Dante permanece atrás dela com a camisa aberta e os cabelos desarrumados. Durante alguns segundos, os dois apenas me encaram, como se eu fosse a pessoa que entrou no lugar errado.
— Helena! Desde quando você... — Dante inicia uma pergunta que se perde no ar.
— Não é o que você está pensando — Lorena dispara enquanto aperta o robe contra o peito.
Observo minha melhor amiga e quase rio. É exatamente o que estou pensando, mas essa frase parece pequena demais para descrever o que fizeram comigo.
— Há quanto tempo?
— Você precisa se acalmar — Dante responde, aproximando-se.
— Não chegue perto de mim.
Ele para. Conheço cada expressão daquele rosto, mas nunca havia percebido como seus olhos ficam frios quando o sorriso desaparece.
Lorena tenta tocar meu braço.
— Nós não queríamos que você descobrisse dessa maneira.
— Que maneira seria melhor? Vocês pretendiam me contar depois do próximo espetáculo ou esperar que eu continuasse projetando ilusões para sustentar a vida de vocês?
Ela baixa os olhos. Dante, porém, não demonstra vergonha.
— Não misture nosso casamento com o meu trabalho.
— Seu trabalho? — Minha voz falha, mas não recuo. — Cada grande truque que tornou você famoso foi criado por mim. Eu desenvolvi os mecanismos, construí as rotas de fuga e arrisquei meu corpo enquanto você recebia os aplausos.
— E recebeu uma vida que jamais teria sem o meu nome.
A crueldade daquela resposta destrói alguma coisa dentro de mim. Durante anos, aceitei permanecer nos bastidores porque acreditava que o sucesso de Dante também pertencia à nossa família. Agora compreendo que ele nunca dividiu nada comigo, nem mesmo a verdade.
— Quero o divórcio. Amanhã vou buscar Theo e retirar meus projetos do ateliê.
Dante fecha a camisa lentamente.
— Você não pode levar meu filho.
— Posso impedir que ele cresça acreditando que o pai é um homem que nunca existiu. Também vou contar à imprensa quem criou suas ilusões.
Lorena empalidece. Dante continua imóvel, mas uma veia pulsa em sua têmpora.
— Faça o espetáculo desta noite — pede ele, assumindo outra vez o tom carinhoso que me enganou por tanto tempo. — É nossa última apresentação contratada. Depois, conversaremos sobre o divórcio, Theo e tudo o que você quiser.
— Está preocupado com a multa da produtora?
— Estou preocupado com as pessoas que dependem de nós. Técnicos, bailarinos, funcionários. Não destrua a vida de todos por causa de um erro meu.
Um erro.
Ele transforma meses de traição em uma palavra pequena e coloca centenas de empregos sobre meus ombros. Ainda assim, aceito. Conheço aquela caixa melhor do que conheço meu próprio corpo. Fui eu quem calculou cada saída e instalei o mecanismo de emergência.
Dante pode ter destruído nosso casamento, mas não pode me ferir dentro de uma ilusão criada por mim.
Foi nisso que acreditei.
♠ ♦ ♣ ♥
Uma placa metálica se solta acima da minha cabeça e cai sobre o piso. As chamas já atravessaram a primeira proteção, e o cronômetro preso à parede interna marca trinta e quatro segundos.
Encontro Dante através da pequena abertura usada pelos técnicos. Ele está nos bastidores, fora do alcance da plateia, observando-me lutar com a trava.
— Dante! — grito, golpeando o vidro. — O mecanismo falhou!
Ele se aproxima sem pressa.
— Eu sei.
Meu sangue esfria apesar do calor.
— Abra a caixa.
Dante olha para os dois lados e ergue uma barra de ferro. Por um instante, acredito que vai usá-la para quebrar o vidro. Em vez disso, ele golpeia o painel do controle manual. Faíscas saltam da estrutura, e a última possibilidade de abertura externa desaparece.
— O que você fez?
Ele encosta o rosto na pequena abertura. Seus olhos não carregam raiva nem culpa, apenas uma tranquilidade assustadora.
— Você deveria ter continuado nos bastidores, Helena.
— Dante, por favor. Pense no Theo.
O nome do nosso filho faz seu sorriso desaparecer, mas não o faz voltar atrás. Ele fecha a proteção metálica sobre a abertura e bloqueia minha visão.
— Adeus, Helena.
Seus passos se afastam enquanto eu me jogo contra a lateral da caixa. O fogo atravessa uma das frestas e alcança minha perna. A dor explode pela minha pele, arrancando de mim um grito que ninguém consegue ouvir sobre a música.
Do lado de fora, a plateia aplaude o meu assassinato.
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— Por que você está chorando?A pergunta de Theo atravessa meu disfarce com mais força do que qualquer lâmina.Seguro sua pequena mão e luto contra o impulso de puxá-lo para meus braços. Passei dois anos imaginando este momento, mas nunca encontrei uma maneira de sobreviver a ele sem me denunciar.— Porque você me lembrou alguém — respondo.— Quem?Caio observa cada movimento meu. Não existe desconfiança em seu olhar, apenas curiosidade. Mesmo assim, solto a mão de Theo antes que meu corpo revele o que meu rosto consegue esconder.— Um menino de quem gostei muito.Theo inclina a cabeça.
Para destruir um ilusionista, preciso criar uma mulher que nunca existiu.Espalho sobre a mesa tudo o que restou de Helena Vilar: projetos roubados, fotografias de Theo, registros do incêndio e a imagem borrada de Lorena entregando alguma coisa a Dante.O pino de emergência.Tenho certeza do que vejo, mas certeza não basta para condenar ninguém.— Se apresentarmos essa gravação, Dante dirá que o objeto poderia ser qualquer coisa — explica Miguel. — E Lorena alegará que estava apenas nos bastidores.— Então não apresentaremos ainda.Recolho as fotografias e fecho a pasta.— O que pretende fazer?—
Reconheço Lorena antes mesmo de conseguir enxergar seu rosto.Miguel amplia o reflexo no metal do armário de emergência, mas a imagem se desfaz em quadrados. Vemos apenas Dante, uma sombra feminina e o brilho de alguma coisa pequena entre as mãos dos dois.— Se aumentarmos mais, perderemos tudo — avisa ele.— Então não aumente. Procure os quadros anteriores.— Os oito minutos foram apagados.— Nenhuma ilusão elimina tudo. Sempre sobra um fio, uma marca ou um reflexo que o ilusionista esqueceu de esconder.Miguel examina os arquivos internos do vídeo. A gravação principal salta de vinte e duas horas e quarenta e um minutos para vinte e duas e cinquenta, mas o programa que editou o arquivo deixou miniaturas automáticas armazenadas no disco.Ele recupera onze imagens de baixa resolução. São fragmentos separados por poucos segundos, pequenos demais para mostrar toda a cena, mas suficientes para reconstruí-la.Na primeira, Dante aguarda junto à porta dos bastidores. Na segunda, uma mulher
Dante ganhou mais dinheiro com a minha morte do que jamais me pagou por todas as ilusões que criei.A frase aparece na primeira página do relatório que Miguel coloca diante de mim. Estamos na antiga oficina dele, entre ferramentas, maquetes e mecanismos cobertos por lençóis. Durante meses, enquanto eu reaprendia a andar e falar, ele reuniu tudo o que conseguiu encontrar sobre o incêndio.Seguro os documentos com as mãos que ainda carregam marcas do fogo. Meu nome está em cada folha, mas Helena Vilar é tratada apenas como vítima, beneficiária de apólices e esposa morta de um homem devastado.— Dante recebeu o seguro do teatro, a indenização pelos equipamentos e a apólice feita em seu nome — explica Miguel. — Alegou que o dinheiro seria usado para pagar funcionários e reconstruir o espetáculo.Viro a página e encontro fotografias da nova mansão, de dois carros importados e de uma lancha registrada por uma empresa recém-criada. Dante não reconstruiu o teatro. Aposentou-se no auge da carr





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