Estou diante de um espelho, embora não me lembre de ter saído da sala cirúrgica. Meu rosto está coberto por tantas bandagens que apenas os olhos permanecem visíveis, duas manchas assustadas em meio ao branco.Ergo as mãos e começo a desfazer os curativos. A primeira faixa cai limpa. A segunda vem manchada de sangue. Quando retiro a terceira, um pedaço de pele permanece grudado no tecido.Deveria parar, mas meus dedos não obedecem. Arranco as últimas camadas e encaro o que o fogo deixou: pele retorcida, uma pálpebra caída e lábios deformados que já não fecham. A mulher refletida parece uma criatura construída com os restos de Helena.Tento gritar, mas outra voz ecoa pelo quarto.Dante está atrás de mim.Ele ri enquanto segura Theo no colo. Meu filho chora e estende os braços em minha direção, mas Dante recua antes que eu consiga tocá-lo.— Olhe para você — diz meu marido, satisfeito. — Mesmo que volte, seu filho nunca reconhecerá esse monstro.— Mamãe! — Theo grita.Corro até ele, mas
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