Mundo de ficçãoIniciar sessãoNarrado por Dante Moretti
O Club Inferno estava em seu ápice de depravação. O som das batidas graves vibrava no meu peito, mas minha mente estava presa em um quarto silencioso a quilômetros dali. Bianca, com sua audácia habitual, deslizou para baixo, entre as minhas pernas, ignorando o público ao redor no camarote VIP. Senti o calor da boca dela, a perícia de quem já havia feito aquilo centenas de vezes. Qualquer outro homem estaria no paraíso, mas eu… eu sentia um vazio irritante. Enquanto a cabeça dela se movia e suas mãos apertavam minhas coxas, eu fechei os olhos. Mas não vi Bianca. Vi Elena. Vi o brilho de ódio naqueles olhos azuis gélidos. O prazer físico estava lá, mas era mecânico. Eu precisava de mais. Eu precisava de uma reação que Bianca jamais poderia me dar: a resistência de uma rainha. — Porra… — rosnei, mas não era de prazer por Bianca. Era de raiva. Afastei Bianca com uma brutalidade que a fez engasgar. Eu estava farto. Levantei-me, ajeitando a calça com mãos trêmulas pela mistura de álcool e frustração. — Chega. Lorenzo, me dê a chave de outra reserva de uísque. Vou beber até apagar. Eu bebi. Bebi até que as luzes do clube se tornassem borrões e a música fosse apenas um zumbido. Saí de lá quando o sol ameaçava aparecer, cambaleando até o carro onde meu motorista me esperava. Eu era o Dom da Camorra, mas naquele momento, eu era apenas um homem derrotado pelo fantasma de uma virgem russa. Narrado por Elena Volkov Eram quatro da manhã quando ouvi o estrondo na porta principal. Corri para o topo da escada e vi Dante. Ele mal conseguia parar em pé. O terno impecável estava desalinhado, a camisa aberta até o meio do peito e o cheiro… ele cheirava a uísque barato, fumaça e o perfume doce e enjoado de outras mulheres. O ódio ferveu no meu sangue. Eu estava ali, preocupada com a segurança da minha família, enquanto meu "marido" se afogava em luxúria. — Você é patético, Moretti — sibilei, descendo e passando o braço dele pelo meu ombro para impedi-lo de cair. Ele era imenso, um peso de músculos puros que quase me esmagava contra a parede. — Elena… — ele balbuciou, a voz arrastada, a cabeça pendendo no meu pescoço. — Minha pequena russa… você é tão fria. Sabe o que aquela loira fez por mim hoje? O que ela fez com a boca? Eu o arrastei para o banheiro da suíte, meu rosto queimando de indignação e uma curiosidade involuntária que eu tentava enterrar. Joguei-o no chão do box e liguei o chuveiro. A água fria o fez soltar um rugido de choque. — Lave essa sujeira de você! — gritei, tentando tirar o paletó dele. Dante riu, uma risada bêbada e sombria. Ele me puxou para baixo da água com ele, prendendo-me contra os azulejos gelados. Seus olhos cinzentos estavam injetados, focados na minha boca com uma intensidade animal. — Você quer saber, não quer? — ele sussurrou, a voz carregada de uma obscenidade que me fez tremer. — Quer saber como é sentir um homem dentro de você? Como é ter sua garganta cheia e suas pernas tremendo? Aquela mulher… ela não é nada. Eu quero ver você gemendo, Elena. Quero ver você perder essa postura de soldada enquanto eu te abro ao meio. Ele começou a descrever, com detalhes explícitos e cruéis, tudo o que as mulheres faziam para ele nas baladas e o que ele planejava fazer comigo. Palavras que eu nunca tinha ouvido, atos que minha mente dedicada à máfia nunca ousara imaginar. Meu coração disparou. Eu sentia nojo, sim, mas havia algo mais… um calor desconhecido que começava a formigar entre minhas pernas diante daquela conversa suja e da proximidade do seu corpo gigante e molhado. — Você é um porco! — eu disse, tentando empurrá-lo, mas ele segurou minhas mãos, colando meu quadril ao dele. Eu podia sentir a prova física da sua luxúria contra minha barriga, mesmo através das roupas molhadas. — Eu sou o seu dono — ele rosnou, o hálito de álcool batendo no meu rosto. — E eu vou te ensinar coisas que vão fazer você esquecer o seu próprio nome. Você vai implorar por cada centímetro meu, russa. Eu o encarei, dividida entre a vontade de esfaqueá-lo e o desejo súbito de entender por que aquelas palavras proibidas me faziam sentir tão vulnerável. Dante Moretti era um monstro, um libertino sem escrúpulos, mas ali, sob a água fria, ele era a minha obsessão mais perigosa.






