Narrado por Isabella Moretti
O silêncio na casa de campo era raro, especialmente com tantos soldados de Dante vigiando cada centímetro da propriedade. Mas ali, no jardim dos fundos, o som do vento batendo nas folhas de oliveira parecia abafar o caos do mundo exterior. Eu caminhava com uma bandeja de curativos limpos e água morna, sentindo o peso do olhar dos guardas sobre mim. Eles sabiam que eu era a protegida do Dom, a joia que ele mantinha longe do sangue, mas eu nunca me sentia como uma boneca de porcelana.
Eu me aproximei do banco de madeira onde Lev Volkov estava sentado. O "Lobo Russo", como alguns dos nossos homens o chamavam entre sussurros de medo. Ele estava com o olhar perdido nas montanhas, a mandíbula travada em uma expressão de dor que ele tentava, inutilmente, esconder.
— Você está atrasada — ele disse, sem sequer olhar para mim. Sua voz era profunda, com um sotaque carregado que fazia meus pelos do braço se arrepiarem.
— Eu não sou sua empregada, Volkov — respondi, ma