Narrado por Dante Moretti
Eu nunca fui um homem de orações. Minha religião sempre foi o aço frio de uma Beretta e o código de silêncio que mantinha meu império de pé. Mas, enquanto eu observava o Dr. Bianchi recolher seus equipamentos, senti algo que nenhum inimigo jamais conseguiu me causar: um medo paralisante.
Uma menina.
Eu olhei para Elena, que ainda estava deitada na cama, com o ventre brilhando por causa do gel do ultrassom. Ela parecia radiante, uma mistura de alívio e triunfo, mas eu só conseguia pensar no mundo em que ela estava inserida. No meu mundo. Um lugar onde filhas de Capos eram moedas de troca, onde a beleza era uma maldição e onde o sobrenome Moretti era um alvo pintado em suas costas desde o primeiro suspiro.
— Saia, Bianchi — ordenei, minha voz soando como um trovão no quarto pequeno. — Agora.
O médico apenas assentiu, acostumado com meus humores, e desapareceu pelo corredor. Aproximei-me de Elena e me sentei ao seu lado, puxando o lençol para cobri-la, mas mante