O dia estava bonito. O tipo de dia que enganava.
O céu claro deixava a cidade mais leve, quase tranquila demais para decisões que não tinham nada de simples. A luz atravessava o escritório e batia nos móveis escuros, criando um contraste estranho entre calma e controle.
Ricardo já estava ali quando entrei. Em pé, próximo à mesa, com uma pasta aberta e expressão séria.
— Está confirmado — disse, assim que me viu. — O pai aceitou os termos. O contrato segue exatamente como foi definido.
Aproximei-me da janela, observando o movimento lá embaixo.
— Ela pediu para me ver? — perguntei, sem me virar.
— Não — respondeu imediatamente. — Pelo contrário. Não solicitou encontro algum. Não faz questão de vê-lo.
Assenti, sem demonstrar reação.
— Melhor assim — respondi.
Ricardo fechou a pasta.
— Tudo será mantido em sigilo até o noivado. Nenhuma menção antes disso. Nem comentários soltos, nem rumores.
— Perfeito — respondi. — Não quero especulações. Isso não é assunto público.