O dia seguia quase normal. Quase.
O céu estava azul, limpo demais para combinar com o que se passava dentro de mim. Um vento fresco batia de leve no meu rosto, fazendo meus cabelos balançarem sem esforço, como se o mundo estivesse tranquilo, alheio a qualquer conflito. Caminhei até o café perto da faculdade tentando acompanhar esse ritmo calmo, mas por dentro tudo continuava inquieto.
Eu estava sentada com a Amanda no café perto da faculdade, mexendo distraída no copo de suco enquanto ela falava sobre coisas banais — provas, gente chata, comentários aleatórios. Eu respondia quando precisava, sorria nos momentos certos, mas minha cabeça estava longe dali.
— Você está estranha — ela disse de repente.
Suspirei, apoiando o cotovelo na mesa.
— Não estou — menti.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Camila, eu te conheço desde sempre. Quando você começa a girar o canudo desse jeito, tem coisa.
Revirei os olhos, mas acabei cedendo.
— É só… muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
—