O restaurante ficava afastado do centro, discreto, do tipo que não chamava a atenção de quem passava. Eu gostava disso. Não precisava de olhares curiosos, nem de perguntas. Apenas de silêncio, boa comida e a sensação de que aquele momento estava sob controle.
Patrícia já me esperava quando cheguei.
Estava sentada à mesa, vestido claro, cabelo bem arrumado. Sorriu assim que me viu. Um sorriso fácil, tranquilo, daqueles que passam a impressão de acolhimento sem esforço.
— Achei que você fosse se atrasar — disse, em tom leve.
— Trânsito — respondi, inclinando-me para beijar seu rosto.
Ela não reclamou. Nunca reclamava. Pelo menos não de forma direta.
— Você parece cansado — comentou, analisando-me com atenção silenciosa. — Semana ruim?
Sentei-me à sua frente e soltei o ar devagar.
— Mais ou menos.
Patrícia inclinou a cabeça, gesto suave, quase cuidadoso.
— Quer falar sobre isso?
Era isso que eu gostava nela. A forma como perguntava sem pressionar, deixando claro que