Capitulo 62

Inácio Hall

Meu celular vibrou sobre a mesa de cabeceira no exato momento em que Gabriel atravessou a porta do quarto.

Ele estava acabado. O rosto carregava cortes recentes e a postura, antes impecável, estava abatida. Naquele instante, o ar no quarto pareceu faltar. Eu não precisei de um relatório; o rastro de sangue e o olhar de derrota de Gabriel diziam tudo.

— Chefe... — ele começou, mas sua voz foi cortada pelo toque insistente do aparelho.

Fiz um sinal para que ele ficasse em silêncio. O número na tela era desconhecido, mas minha intuição rugia um nome.

— Fala, Hermano — atendi, sem preâmbulos. Minha voz saiu gélida, desprovida de qualquer rastro da farsa que eu mantinha até minutos atrás.

A risada rouca e sarcástica do outro lado da linha foi a confirmação.

— Meu grande amigo... Você me conhece tão bem que me reconhece sem que eu precise dizer uma palavra. Sabe o que eu tenho aqui comigo, não sabe? — O cinismo em sua voz era palpável.

Trinquei os dentes, os nós dos meus dedos f
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