Inácio Hall
Meu celular vibrou sobre a mesa de cabeceira no exato momento em que Gabriel atravessou a porta do quarto.
Ele estava acabado. O rosto carregava cortes recentes e a postura, antes impecável, estava abatida. Naquele instante, o ar no quarto pareceu faltar. Eu não precisei de um relatório; o rastro de sangue e o olhar de derrota de Gabriel diziam tudo.
— Chefe... — ele começou, mas sua voz foi cortada pelo toque insistente do aparelho.
Fiz um sinal para que ele ficasse em silêncio. O número na tela era desconhecido, mas minha intuição rugia um nome.
— Fala, Hermano — atendi, sem preâmbulos. Minha voz saiu gélida, desprovida de qualquer rastro da farsa que eu mantinha até minutos atrás.
A risada rouca e sarcástica do outro lado da linha foi a confirmação.
— Meu grande amigo... Você me conhece tão bem que me reconhece sem que eu precise dizer uma palavra. Sabe o que eu tenho aqui comigo, não sabe? — O cinismo em sua voz era palpável.
Trinquei os dentes, os nós dos meus dedos f