Amélia Moreira
Finalmente em casa. Parecia que uma eternidade havia se passado desde a última vez que deitei em minha própria cama. Por causa das mentiras de Inácio, passei noites intermináveis naquela poltrona desconfortável de hospital, negligenciando a mim mesma por um luto que nem era real. Agora que eu sabia a verdade, meu único plano era dormir sem o peso do mundo nos ombros.
Fechei os olhos, deixando o silêncio me envolver, mas um som estridente cortou a paz.
Sentei-me na cama, o coração disparando de frustração.
— Mas que merda! — resmunguei.
Ouvi novamente. Desta vez, não era apenas um ruído; era o som de objetos caindo, como se alguém estivesse revirando a casa. O cansaço desapareceu instantaneamente, substituído por um instinto de sobrevivência puramente gelado. Alguém invadiu a casa.
Levantei-me sem fazer barulho. Peguei o celular e, por puro instinto de urgência, disquei o número do Gabriel. Inácio era meu marido, mas Gabriel era quem estava com as armas e os reforços ago