Amélia Moreira
O chão de cimento batido estava gelado contra a minha pele, mas eu não podia me dar ao luxo de sucumbir ao frio ou ao medo. Eu já estive em situações assim antes. Salvador tinha sido um monstro, e eu sobrevivi. Hermano era apenas mais um demônio no meu caminho, e ele não seria o meu fim.
"Você já fez isso uma vez, Amélia. Pense. Use a cabeça", incentivei a mim mesma, ignorando a pulsação dolorida na minha nuca.
Ergui-me com dificuldade, tateando as paredes descascadas em busca de qualquer brecha, qualquer ponto cego naquele quartinho que cheirava a morte. Levei a mão ao ventre, sentindo um chute leve, quase imperceptível.
"Filhinho, aguente firme. A mamãe vai tirar a gente daqui, eu prometo."
Eu estava perto da porta, tentando ouvir o que se passava no corredor, quando a folha de metal foi escancarada com violência. O impacto me jogou direto para o chão, fazendo meus cotovelos arderem.
— Mas que idiota! O que estava fazendo parada aí atrás? — Um homem alto, de ombros la