Amélia Moreira
A forma como Inácio falou comigo me irritou profundamente. Se ele pensava que eu ficaria parada assistindo-o marchar para a morte, estava muito enganado. Eu não era apenas uma plateia para os seus shows de autoridade.
Estava dobrando o corredor quando uma pequena mão segurou a minha. Olhei para baixo e avistei Diana, que me encarava com aqueles olhos grandes e curiosos.
— Mamãe, o papai disse que você é doida e que por isso ficou brava do nada. Mas eu não acho que você é doida, não se preocupe — disse ela, com uma inocência que, em outro momento, teria me feito rir.
— Ele disse isso, foi? — Murmurei, sentindo uma veia pulsar na minha testa. Aquele babaca me pagaria.
Eu estava pronta para abrir a bolsa e chamar um carro, quando percebi que minhas mãos estavam vazias.
— Droga, esqueci a bolsa no quarto. Vamos, amorzinho, precisamos buscá-la.
Voltei com Diana pelo corredor. Eu já ia girar a maçaneta quando uma frase vinda de dentro do quarto me fez congelar.
— Mas, Chefe..