Álvaro...
As palavras dela ainda ressoavam em minha mente, como um dedo cutucando a ferida na minha alma. Ela tinha razão: abandonei tudo e não voltei, não dei o último abraço, não estive aqui para cumprir o pedido de carregar o caixão do meu pai, assim como ele carregou o do meu avô. E toda essa verdade machuca demais.
Essa mulher vai me deixar louco, mas pelo menos agora sei que parte da raiva dela é porque tomou as dores do meu falecido pai. Mas isso não lhe dá o direito de me ferir dessa forma. Ela não sabe de nada.
— Filho, está chorando? — A voz da minha mãe me pega de surpresa.
Abaixo a cabeça, enxugando as lágrimas. Ela se aproxima e se senta ao meu lado; com ternura, me puxa para o colo. Me aconchego ali como um menino e, quando sinto seus dedos tocando de leve o meu cabelo, toda a minha postura masculina se desfaz, e eu choro — um choro desesperador.
— Não se martirize mais, meu filho... não tem como voltar. Não se machuque assim... seu pai já o havia perdoado...
A voz dela