Estava no meu lugar de paz. O barulho da queda d’água da cachoeira me acalmava de um jeito inexplicável; eu amava aquele lugar. Lá na sede, a essa hora, o advogado já devia ter chegado para a leitura do testamento do senhor Joaquim. Será que ele deserdou o senhor Álvaro? Desde a conversa com dona Catarina, algumas coisas que eu pensava sobre ele mudaram, mas continuo achando-o um almofadinha metido.
O barulho do trote de um cavalo pisoteando o mato me tirou dos pensamentos. Virei-me para ver quem se aproximava: era o Bento.
— Ainda bem que te achei. Dona Carmen mandou chamar ocê — avisou, assim que chegou mais perto.
Cocei a cabeça, confusa.
— O que será que fiz de errado? Ela reclamou de alguma coisa?
— Ela não disse nada, só mandou te chamar.
— Ora, tenho certeza de que fiz tudo certinho. Ela deve tá querendo me dar mais serviço, só pode — murmurei.
Ele fez uma careta.
— Em vez de ficar levantando questão, levanta a bunda dessa pedra e vem logo — resmungou.
— Já estou indo, seu chato