Após horas trabalhando em frente ao computador, fui até a cozinha pegar mais café. O silêncio da madrugada tomava conta da casa; só se ouvia o canto dos grilos lá fora e o tic-tac do relógio na parede.
Enchi a xícara e voltei para o quarto. Era mais uma noite sem dormir. Aproximei-me da janela e foi então que vi. Ela atravessava o quintal com passos apressados, um saco pesado jogado nas costas, o corpo curvado e o olhar atento para todos os lados — como quem foge. Reconheci na hora aquele jeito.
Cecília.
Afastei-me da janela e me escondi atrás da cortina quando percebi que ela se aproximava da casa. Fiquei ali, em silêncio, observando-a passar na direção do estábulo.
Logo ela sumiu na parte pouco iluminada, e fiquei intrigado. A lembrança dela dizendo que iria embora me veio à mente como um estalo.
Será que ela está mesmo indo embora?
— Mas não vai, não — murmurei para mim mesmo. — Eu não vou deixar. Não depois da minha última conversa com o advogado.
Sem pensar duas vezes, pulei a ja