Meu coração estava apertado e, em todos esses anos morando aqui, essa era a primeira vez que me passava pela cabeça ir embora. Não vou me casar com aquele borra-botas. Não é justo o seu Joaquim ter me metido numa loucura dessas.
Abri a gaveta onde guardo o porta-retrato com a única foto que tenho ao lado dele. Eu apareço segurando o troféu da prova de laço da festa de rodeio do ano passado, e ele, ao meu lado, com um sorriso largo, todo orgulhoso — foi ele quem me ensinou a laçar boi.
— Apesar da boa lembrança, essa foto não apaga o quanto tô chateada com o senhor, viu? — reclamei, brigando com a imagem.
Levei o porta-retrato comigo até a varanda e me acomodei na cadeira de balanço.
— O que o senhor fez foi uma doideira só. Tava variando das ideias, foi? Ora, seu Joaquim… como pode querer me casar com aquele seu filho borra-botas almofadinha?
Melhor parar de reclamar. Vai que ele resolve puxar meu pé na hora de dormir.
Um barulho vindo do banheiro me fez dar um pulo da cadeira. Num imp