— Kaito-san… — começou, mas a voz falhou.
— Hm? — ele respondeu baixo, sem pressa, sem julgar.
Marina fechou os olhos por um instante, como se tivesse que reunir coragem para continuar.
— Esse silêncio… — ela murmurou. — Está… pesado demais.
Ele inclinou a cabeça, estudando-a.
— Eu sei.
Outro silêncio.
Mas agora, outro tipo — carregado, tenso, íntimo.
Marina não recuou. Mas também não avançou. Ficou ali, entre a vontade de abraçá-lo e a vontade de fugir.
— Eu ainda não sei… como me sinto sobre tudo isso — ela disse enfim. — Mas… eu sei que você não fez por interesse. Nem por pena.
Kaito respirou fundo, como quem remove um peso invisível do peito.
— Nunca seria por pena — afirmou. — Esse sentimento… eu nunca teria por você.
Marina engoliu em seco.
Ela não precisou questionar que sentimento ele quis dizer.
E isso, por si só, já dizia demais.
O silêncio voltou — mas agora, suave. Não um muro. Não uma barreira. Um espaço. Um respiro. Uma espera.
Marina passou a mão no rosto, enxugando as