Mundo ficciónIniciar sesiónContinuação:
Depois do ocorrido, meu mundo desabou de vez. As cobranças da faculdade batiam à minha porta como marteladas, e o desespero passou a ser meu companheiro constante. Trabalhei dobrado, virei noites, aceitei turnos extras — e ainda assim não consegui juntar nem metade do dinheiro que havia perdido. Eu estava perdida. Afogada em problemas, sem solução, sem sequer enxergar uma luz no fim do túnel. Naquela noite, voltava para casa mais tarde do que o normal, andando devagar, a cabeça cheia de pensamentos que me esmagavam o peito. Eu precisava de uma saída. Qualquer uma. Foi então que vi o carro parado. Era tarde demais para aquilo. A rua estava quase vazia, os postes de luz falhavam, e a porta do carro permanecia aberta. Um carro de luxo. Bonito demais para aquele lugar. Aproximei-me por instinto, curiosidade misturada com medo. Quando dei meia-volta, pronta para ir embora, vi um homem encostado na lateral do veículo. Ele está passando mal? O suor escorria pelo rosto, a respiração era curta, descompassada. Uma das mãos pressionava a barriga com força. Dei alguns passos na direção dele. De repente, ele apontou uma arma para mim. — Fica longe — disse com dificuldade, a voz rouca. Congelei. — Desculpa… — falei, erguendo as mãos. — Você está bem? Mesmo assim, continuei me aproximando devagar. — Eu mandei não chegar perto! — repetiu, a arma ainda apontada. Assustada, recuei. Foi quando ouvi algo cair no chão. Um baque seco. Virei-me rapidamente. Ele havia desabado. — Moço! — corri até ele, ignorando o medo. Quando me ajoelhei, vi o sangue. Muito sangue. A camisa escura já estava encharcada. — Você foi baleado… — sussurrei, o coração disparado. — Meu Deus, o que eu faço? Respirei fundo, tentando não entrar em pânico. Rasguei parte da minha blusa e pressionei o ferimento, fazendo os primeiros socorros como pude. Não dava para retirar a bala. — Vai ficar tudo bem — murmurei, mais para mim do que para ele. — Eu… eu preciso ligar para uma ambulância… Só então lembrei. Eu não tinha mais celular. Procurei nos bolsos dele às pressas. Foi quando ele acordou de repente e segurou meu pulso com força surpreendente. — Eu não vou te machucar — falei rápido, assustada. — Só estou procurando um celular pra chamar ajuda. — Não precisa… — ele disse, forçando-se a sentar. Depois, com um esforço absurdo, ficou de pé. — Você não pode se levantar assim! — protestei, apoiando-o. — Você está baleado! Ele se desvencilhou, ofegante. — É melhor você ir embora agora — disse, abrindo a porta do carro. — As coisas não vão ficar boas nessa rua. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele entrou no carro e arrancou em disparada. Poucos segundos depois, vários outros carros passaram em alta velocidade. Meu corpo inteiro começou a tremer. O medo me atingiu de uma vez só. E se ele tivesse me matado ali? Fiquei parada na calçada, o coração disparado, as mãos sujas de sangue que não era meu. Quando cheguei em casa, o silêncio me engoliu. Foi então que vi as cartas sobre a cama. O último aviso da faculdade. Sentei-me devagar, o peso da realidade caindo sobre mim. — O que eu vou fazer… — sussurrei. — Está desesperada, né? A voz de Estela surgiu atrás de mim. Ela entrou no quarto vestida com roupas chiques e uma maquiagem extravagante, destoando completamente do meu estado.






