CAPÍTULO 98 — O PASSO QUE ELES NÃO VIRAM CHEGAR
A noite parecia calma demais.
Helena estava deitada no sofá, coberta por uma manta fina, enquanto Arthur revisava alguns documentos na mesa de jantar. Téo já dormia havia horas, completamente esgotado depois de um dia cheio na escola. O apartamento estava silencioso, exceto pelo som suave da chuva lá fora — típica, fina, insistente.
Mas por dentro, nada estava realmente calmo.
Nos últimos dias, Helena vinha lidando com tonturas frequentes, enjoos leves e um cansaço que parecia se alongar por toda a espinha. Ela insistia que era apenas estresse… mas Arthur já estava atento demais a cada detalhe para ignorar.
— Amor — ele chamou, fechando os relatórios — você não comeu nada do prato que eu deixei aqui.
Helena ergueu o olhar, lenta.
— Eu… não desceu — ela admitiu, passando a mão na testa. — É só ansiedade. Vai passar.
Arthur se aproximou, sentou ao lado dela no sofá e passou a mão por seus cabelos, analisando seu rosto com atenção.