---
CAPÍTULO 92 — OS PRIMEIROS VENTOS DA TEMPESTADE
Helena sempre foi boa em identificar mudanças sutis. Um silêncio alterado, um olhar desviado, um telefonema que não fazia sentido — detalhes que normalmente ninguém perceberia, mas que para ela acendiam pequenos alertas internos.
E naquela semana, todos esses alertas apareciam ao mesmo tempo.
Não era nada concreto. Nada que pudesse apontar e dizer: “Aqui. É isso.”
Mas era algo… no ar.
Algo que estava começando a se mover.
Arthur também sentia.
Principalmente naquele fim de tarde, quando recebeu uma ligação estranha no escritório. A pessoa do outro lado desligou assim que ele atendeu. Ele tentou retornar, mas dava número inexistente. Um arrepio percorreu sua nuca.
— Está tudo bem? — Helena perguntou, quando ele chegou em casa um pouco mais sério do que o normal.
Arthur respirou fundo, tirou o paletó, largou as chaves no aparador.
— Acho que sim. Só… pressões normais da empresa.
Helena se aproximou, acariciando seu braço.