CAPÍTULO 44 — A FISSURA
O corredor da empresa estava silencioso demais para o horário. Normalmente, às oito da noite, ainda se ouviam teclados, telefonemas atrasados, o som abafado de fechamentos de contrato. Mas naquela quarta-feira, só o eco distante dos saltos de Helena quebrava o ar.
Ela estava exausta.
A semana inteira havia sido um turbilhão: a aproximação cuidadosa — e intensa demais — entre ela e Arthur, a reação imprevisível de Theo ao vínculo que os dois estavam criando, e principalmente… o peso da sombra do pai de Arthur sobre tudo.
Era impossível ignorar.
Era impossível fingir que a ameaça tinha desaparecido.
Quando ela entrou na sala de projetos para guardar os arquivos finais do dia, encontrou Arthur sentado à mesa, a gravata já solta, a camisa com as mangas dobradas e uma expressão que misturava preocupação e… outra coisa que ela não sabia nomear.
Talvez medo.
Talvez cansaço.
Talvez… ela.
— Você ainda está aqui? — ela perguntou com uma voz baixa, tent