Pablo
Eu tava na correria da favela, resolvendo os bagulhos da boca, cobrando uns nóia que tavam me devendo e entregando mercadoria.
– Temos que fazer a contabilidade da boca e das biqueiras do asfalto – Tales disse, acendendo um preto.
– Bora lá pra minha goma, a gente vê isso tomando uma – falei.
– Bora ver, Boladão – ele deu risada e montou na moto. Eu subi atrás.
No caminho, ele estala a língua e olha pra um grupo de novinhas na calçada.
– Tá na tua, olha lá.
– Tô fora de penosa – falei, puxando meu cigarro. Uma loira tava rindo pra mim, mas nem dei moral.
– Agora é a hora, pô. A Melinda perdeu a memória, pra ela nem ia ser traição…
– Ô ladrão, tu conhece a Melinda. Ela se vinga no sapatinho. Quer me meter em furada? – falei descendo da moto, meu bonde já chegando.
Entramos pra sala. Os caras espalhados: uns contando dinheiro, outros separando papelote, outros anotando. Eu e Tales somando tudo.
Então Melinda desce.
Só de camisola. Que parecia mais uma blusa… e deixava a calcinha