Pablo Narrando
Eu já estava tomado por uma fúria que eu mesmo não reconhecia. Parecia que algo dentro de mim tinha pegado fogo. A arma pesava na minha mão, mas o ódio pesava mais ainda.
— Eu vou te matar, Melinda! — rosnei, apontando a arma para ela e para o cara ao lado.
Ela levantou as mãos, desesperada, lágrimas caindo como se escorressem direto do medo.
— Eu não fiz nada, Pablo. Acredita em mim, por favor… — a voz dela saiu fraca, trêmula.
— Cala a boca! — explodi. Eu estava cego, na adrenalina, no impulso. Qualquer explicação dela só me enojava.
O cara tentou falar, levantando um pouco as mãos.
— Mano, eu não sabia… achei que ela era solteira, por causa da piscina… não rolou nada…
Não consegui ouvir mais nada.
Meu dedo apertou o gatilho antes que meu cérebro processasse.
O barulho do tiro ecoou nos meus ossos.
A cabeça dele explodiu pra trás e Melinda gritou tão alto que pareceu que rasgou o ar.
Apontei para ela. Ela chorava, implorando, os olhos arregalados.
— Pablo, por favor…