Nos últimos dias, a vida de Enrico e Cecília parecia ter retomado uma calma quase improvável. O bar funcionava em seu ritmo costumeiro, clientes entrando e saindo, Julia sempre por perto, e Cecília se agarrando à sensação de normalidade como quem teme acordar de um sonho breve demais. Havia sorrisos no balcão, conversas triviais e até momentos em que ela acreditava que os fantasmas haviam se afastado.
Naquela noite, o bar estava cheio. As mesas ocupadas, o tilintar dos copos e a música baixa criavam um ambiente acolhedor, quase seguro. Enrico ainda não tinha chegado, mas Cecília sabia que em algum momento o veria encostar-se ao balcão, trazendo consigo a tranquilidade e a inquietação em igual medida.
Ela servia uma rodada de cervejas quando a porta se abriu com força, quebrando o ritmo sereno como um trovão no meio da madrugada.
Laura entrou como uma tempestade. O salto ecoando contra o piso, os olhos faiscando de raiva.
— Sua desgraçada! — a voz dela cortou o bar, silenciando boa par