Voltei para o quarto no meio da madrugada.
Ela estava onde eu a deixei: deitada no sofá, enrolada em uma coberta fina, com os olhos grudados no computador. Não desviou o olhar nem por um segundo quando entrei, como se eu fosse invisível.
Melhor assim.
Entrei no banheiro e encarei minha mão debaixo da luz branca. O corte não foi fundo, mas foi o suficiente.
O sangue ainda manchava a lateral dos dedos.
Ardia.
Mas não como o incomodo crescendo no meio do peito.
Lavei o ferimento em silêncio. Água