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Capítulo 27 — A entrega.

O grande dia finalmente havia chegado.

Antes mesmo de o sol nascer, a pequena casa de Ludovica já estava completamente desperta.

O forno permanecia aceso desde a madrugada.

O aroma de bolos recém-assados e tortas quentinhas espalhava-se por toda a vizinhança.

Sobre a mesa da cozinha, dezenas de doces aguardavam os últimos detalhes da decoração.

Ludovica conferia cada encomenda com o mesmo cuidado de quem preparava um presente.

Nenhum detalhe passava despercebido.

Constantine embalava os pedidos enquanto o tio organizava as caixas que seriam transportadas.

Apesar do cansaço, os três estavam muito felizes.

Aquela era, de longe, a maior encomenda que já haviam recebido.

— Quem diria... — comentou Ludovica, emocionada. — Há pouco tempo eu nem imaginava vender uma única torta.

Constantine sorriu.

— E hoje estamos entregando cinquenta.

— Cinquenta tortas e cinquenta bolos — corrigiu o tio, orgulhoso.

Ludovica levou as mãos ao peito.

— Se alguém tivesse me contado isso há alguns meses, eu não acreditaria.

Nesse instante, uma buzina soou do lado de fora.

Constantine aproximou-se da janela.

— É a Nay.

Ela saiu rapidamente para recebê-la.

Assim que desceu do carro, Nay abriu um enorme sorriso.

— Bom dia, meus confeiteiros preferidos!

— Bom dia! — responderam quase ao mesmo tempo.

Nay olhou para a quantidade de caixas empilhadas.

Seus olhos se arregalaram.

— Meu Deus... vocês conseguiram mesmo.

Ludovica sorriu com humildade.

— Viramos a madrugada.

— Valeu a pena.

— Espero que sim.

— Tenho certeza.

Nay bateu palmas, animada.

— Então vamos! Hoje ninguém pode se atrasar.

Tem uma empresa inteira de gente faminta querendo provar essas delícias.

Os quatro começaram a acomodar cuidadosamente as caixas no veículo.

Enquanto fechava o porta-malas, Constantine respirou fundo. Era gratificante ver seus tios felizes.

As caixas já estavam cuidadosamente acomodadas no veículo, Nay conferia a lista de encomendas pela terceira vez.

Tudo estava pronto para a entrega no auditório onde, inicialmente, aconteceria a reunião entre as duas empresas.

Foi então que seu celular tocou.

Ao olhar para a tela, viu o nome de Umberto.

Atendeu imediatamente.

— Bom dia, senhor.

Do outro lado da linha, Umberto falava enquanto caminhava de um lado para o outro.

A voz permanecia firme e tranquila, mas se percebia uma certa ansiedade.

— Nay, houve uma mudança de planos.

Ela pegou rapidamente um bloco de anotações.

— Certo. O que aconteceu?

— Decidimos realizar a reunião aqui mesmo, na Zanobi Corporation.

Nay franziu a testa.

— Na empresa?

— Sim. O auditório principal comporta todos os convidados. Além disso, quero que nossos parceiros conheçam nossas instalações.

Enquanto falava, Umberto observava alguns funcionários ajustando os últimos detalhes da recepção.

Nada podia sair do controle.

Aquela parceria era recente, e ele fazia questão de transmitir a imagem de uma empresa organizada, eficiente e impecável.

— Pode trazer toda a encomenda diretamente para cá.

— Sem problemas, senhor.

— Já estou aguardando vocês.

— Estaremos aí em poucos minutos.

A ligação foi encerrada.

Nay permaneceu imóvel por alguns segundos.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Ludovica.

— Mudou o local da entrega.

— Mudou?

— Sim.

Ela respirou fundo.

— A reunião não será mais no auditório.

Constantine levantou os olhos.

— Então será onde?

Nay respondeu naturalmente, sem imaginar o impacto que aquelas palavras causariam.

— Na Zanobi Corporation.

O sorriso no rosto de Constantine desapareceu por um instante.

Seu coração pareceu perder o compasso.

Ela conhecia aquele prédio.

Conhecia aqueles corredores.

E o que ela menos queria era estar naquele ambiente ou então ter qualquer contato com Umberto.

Baixou os olhos por alguns segundos.

E, sem dizer uma única palavra, voltou a ajudar a acomodar as últimas caixas.

Afinal, aquele era apenas mais um trabalho.

Era isso que ela repetia para convencer a si mesma.

Enquanto organizava cuidadosamente as encomendas, traçou um plano.

Entraria na Zanobi Corporation.

Faria apenas o necessário.

Ajudaria na montagem da mesa do coffee break.

E iria embora sem chamar atenção e sem procurar Umberto.

E, principalmente, evitaria ao máximo ser vista por ele.

Acreditava que seria fácil pois a empresa era enorme.

Bastaria permanecer ao lado dos tios durante todo o tempo.

Infelizmente, os planos nem sempre sobrevivem ao primeiro imprevisto.

Assim que as últimas caixas foram levadas para o salão principal, Constantine respirou aliviada.

Tudo parecia estar dando certo.

Foi quando uma movimentação no corredor chamou sua atenção.

Ao erguer os olhos, encontrou Umberto caminhando em direção ao auditório.

Ele conversava com alguns diretores enquanto observava os últimos preparativos da reunião.

Por um instante, seus olhares se encontraram e um calafrio percorreu sua espinha, acompanhado por uma inquietação que ela não conseguiu explicar.

Constantine foi a primeira a desviar o olhar.

Continuou organizando as bandejas como se nada tivesse acontecido.

Mas já era tarde.

Umberto a havia reconhecido.

Alguns minutos depois, assim que terminou de orientar sua equipe, caminhou discretamente até o espaço onde Ludovica, Tommaso e Constantine finalizava os últimos detalhes.

— Bom dia.

Os três se voltaram imediatamente.

Ludovica e Tommaso demonstraram surpresa.

Constantine permaneceu imóvel.

— Senhor Zanobi... — cumprimentou Tommaso.

Umberto sorriu com cordialidade.

— Fico feliz em revê-los.

Seu olhar percorreu os três.

— Como vocês estão?

— Graças a Deus, estamos bem — respondeu Ludovica. — E o senhor?

— Muito bem.

Ele observou rapidamente a mesa preparada.

— Vejo que o talento de vocês conquistou novos clientes.

Ludovica sorriu, um pouco envergonhada.

— Estamos tentando.

— E estão conseguindo.

Após alguns instantes de conversa, Humberto voltou sua atenção para Constantine.

— Você poderia me acompanhar por um momento?

Ela hesitou.

Olhou discretamente para os tios.

Ludovica apenas sorriu, acreditando que se tratava de algum assunto relacionado ao evento.

Constantine respirou fundo.

— Claro.

Os dois caminharam alguns metros, afastando-se da movimentação.

Quando tiveram um pouco mais de privacidade, Umberto parou.

Permaneceu alguns segundos em silêncio.

Não havia irritação em seu semblante.

Havia apenas uma dúvida que o acompanhava desde o dia em que ela deixou sua casa.

— Posso fazer uma pergunta?

— Claro.

— Por que você foi embora sem me dizer absolutamente nada?

Constantine baixou os olhos por um instante.

Ela já imaginava que aquela pergunta chegaria.

Só não esperava que fosse justamente naquele dia.

Constantine permaneceu em silêncio.

A pergunta de Umberto ecoava em sua mente.

“Por que você foi embora sem me dizer absolutamente nada?"

Respirou fundo.

Uniu forças para organizar os pensamentos.

Havia tantas respostas.

Tantas justificativas.

Mas nenhuma parecia suficiente.

Ergueu novamente o rosto.

Encontrou os olhos de Humberto fixos nos seus, aguardando pacientemente uma explicação.

Abriu os lábios.

Estava pronta para responder.

— Zanobi!

A voz apressada ecoou pelo corredor.

Os dois voltaram o olhar na mesma direção.

Vitor aproximava-se com passos rápidos, trazendo uma pasta nas mãos.

Seu semblante demonstrava preocupação.

— Desculpe, interromper, mas surgiu um problema. Precisamos da sua decisão imediatamente.

Umberto franziu discretamente a testa.

— Aconteceu alguma coisa?

— A equipe da empresa parceira chegou antes do previsto, e houve uma alteração na apresentação. Precisamos definir algumas mudanças antes que todos entrem no auditório.

Umberto olhou novamente para Constantine.

Por um breve instante, pareceu dividido entre permanecer ali ou atender ao compromisso.

Por fim, suspirou.

— Voltaremos a conversar.

Constantine apenas assentiu.

— Ok

Ele acompanhou Vitor pelo corredor e desapareceu entre os funcionários que corriam de um lado para o outro.

Ela permaneceu imóvel por alguns segundos.

Sentia o coração bater mais rápido do que deveria.

Não sabia dizer se estava aliviada por não precisar responder.

Sabendo que aquela conversa chegaria em outro momento.

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