Os passos eram rápidos.
Firmes.
Como se cada segundo fosse precioso.
A figura caminhava olhando discretamente para os dois lados da rua.
O céu já começava a escurecer.
A iluminação dos postes mal conseguia vencer as sombras daquela região estreita da cidade.
Definitivamente, aquele não era um lugar onde alguém com sua postura costumava frequentar.
O elegante sapato derby de couro caramelo ecoava sobre a calçada irregular.
A respiração permanecia acelerada.
O corpo rígido denunciava um nervosismo que tentava esconder.
Sem hesitar, atravessou a porta de um pequeno bar.
O ambiente era abafado.
Pouca iluminação.
Cheiro forte de bebida.
Fumaça de charutos pairando no ar.
Escolheu uma mesa afastada, quase escondida em um dos cantos.
Sentou-se.
A poltrona de couro antigo rangeu sob o peso do corpo.
Olhou para o relógio.
Uma vez.
Duas.
Três.
Impaciência.
O garçom aproximou-se.
— O de sempre?
Apenas um gesto afirmativo respondeu.
Poucos instantes depois, um copo foi colocado sobre a mesa.
A bebida forte desapareceu em um único gole.
Nem chegou a saboreá-la.
Continuou esperando.
Até que a porta voltou a se abrir.
Uma nova figura entrou silenciosamente.
Sem dizer uma única palavra, caminhou até a mesa.
Sentou-se de frente para quem aguardava.
Os dois permaneceram alguns segundos em absoluto silêncio.
Então veio a pergunta.
— O que deseja que eu faça?
A resposta foi imediata.
— É algo simples.
A mão deslizou lentamente para dentro do casaco.
Retirou um pequeno pendrive metálico.
Colocou-o sobre a mesa.
— Quero que instale isso no sistema de uma empresa.
O homem pegou o dispositivo entre os dedos.
Observou-o rapidamente.
Depois ergueu os olhos.
— Qual empresa?
A resposta veio quase num sussurro.
— Zanobi Corporation.
O silêncio pareceu ainda mais pesado.
O homem girou lentamente o pendrive entre os dedos.
— Ficará algum rastro?
Um leve sorriso surgiu no rosto do outro.
— Trabalho com isso há muitos anos.
Apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Se a segurança deles for realmente excelente, talvez percebam que houve uma invasão.
Fez uma pequena pausa.
— Mas nunca chegarão até mim.
Olhou fixamente para o contratante.
— E muito menos até o senhor.
Pela primeira vez desde que chegara ao bar, o homem pareceu relaxar.
Mas apenas por alguns segundos.
O hacker apoiou-se na cadeira.
Seu olhar percorreu lentamente a roupa elegante do contratante.
Parou no relógio.
Depois desceu até os sapatos.
Sorriu.
Um sorriso estranho.
— Belo relógio.
Silêncio.
— Belos sapatos também.
O contratante franziu a testa.
— Obrigado.
O sorriso desapareceu.
— Agora passe os dois para cá.
A expressão do homem mudou completamente.
— O quê?
— O relógio.
Fez outra pausa.
— E os sapatos.
Por um instante, tentou recusar.
Mas o hacker apenas afastou discretamente uma das abas do casaco.
O suficiente para revelar um objeto escuro.
Metálico.
Frio.
Brilhando sob a luz fraca do bar.
Não era necessário dizer uma única palavra.
A ameaça já havia sido compreendida.
Do lado de fora...
A noite continuava seu curso.
Ao deixar o bar, a noite já havia tomado conta da cidade.
Sem o relógio no pulso.
Sem os sapatos.
Apenas as meias protegiam seus pés do frio da calçada.
Curiosamente...
Nada daquilo parecia incomodá-lo.
Sua postura continuava impecável.
A cabeça permanecia erguida.
Os passos seguiam firmes, como se tivesse acabado de concluir um excelente negócio.
Parou na calçada.
Pegou o celular.
Solicitou um carro por aplicativo.
Poucos minutos depois, um sedã preto encostou discretamente.
Ele entrou no banco traseiro.
O motorista lançou um rápido olhar pelo retrovisor.
Franziu a testa ao perceber que o passageiro estava descalço.
— Senhor... aconteceu alguma coisa?
Por um breve instante, fez-se silêncio.
Então, um discreto sorriso surgiu em seus lábios.
— Não.
Olhou pela janela.
— Os sapatos estavam apertados.
O motorista soltou uma pequena risada.
— Ainda bem. Por um momento achei que o senhor tivesse sido assaltado.
Nenhuma resposta.
O veículo continuou seguindo pelas ruas iluminadas.
Após alguns minutos, o motorista voltou a puxar conversa.
— O senhor parece muito satisfeito.
Pelo retrovisor, percebeu aquele leve sorriso que insistia em permanecer.
— Aconteceu alguma coisa boa?
O homem permaneceu olhando para a cidade.
As luzes refletiam no vidro da janela.
Então respondeu calmamente:
— Ainda não...
Fez uma breve pausa.
Seu sorriso aumentou de forma quase imperceptível.
— Mas está prestes a acontecer.
O motorista sorriu sem entender.
— Que bom. Espero que dê tudo certo.
O passageiro continuou observando a cidade.
Desta vez, porém, murmurou tão baixo que apenas ele próprio pôde ouvir:
— Vai dar...
— Muito melhor do que eles imaginam.
A noite estendeu seu véu negro sobre a selva de pedra.
Pouco a pouco, as luzes da cidade foram se apagando.
Enquanto milhares de pessoas dormiam tranquilamente...
Em algum lugar, um plano começava a produzir seus primeiros efeitos.
Na manhã seguinte...
Pontualmente às nove horas.
O silêncio do quarto foi interrompido pelo toque insistente de um celular.
Trriiim... Trriiim...
Umberto despertou lentamente.
Ainda tentando reunir os sentidos, permaneceu alguns segundos imóvel sobre a cama.
A noite anterior havia sido longa.
Respirou fundo.
Só então estendeu a mão até a mesa de cabeceira.
O aparelho estava com a tela virada para baixo.
Ao virá-lo, viu o nome que aparecia no visor.
Vito.
Franziu a testa.
Atendeu imediatamente.
— Alô?
Do outro lado, a voz veio completamente diferente do habitual.
Apressada.
Tensa.
— Umberto!
— Vito? Aconteceu alguma coisa?
— Meu amigo... a empresa está um verdadeiro caos!
Umberto sentou-se na cama no mesmo instante.
— O que houve?
— Eu ainda não entendi direito!
A voz parecia cada vez mais desesperada.
— Todos os computadores começaram a apresentar um negócio estranho. Os sistemas simplesmente travaram.
Respirou fundo.
— E... você não vai acreditar.
— Fala.
— Apareceu um gatinho dançando na tela de todos os computadores.
Umberto permaneceu em silêncio.
Achou que tivesse ouvido errado.
Vito continuou.
— Depois da dança... aparece uma montagem sua.
— Minha?
— Sim!
— Colocaram dois chifres, um rabo e um tridente na sua mão.
Umberto passou a mão pelo rosto, tentando compreender a situação.
— Vito... isso é alguma brincadeira?
— Eu gostaria muito que fosse!
Do outro lado da ligação, era possível ouvir pessoas falando ao mesmo tempo.
Telefones tocando.
Alguém pedindo ajuda.
Um ambiente completamente desorganizado.
— Não temos acesso a absolutamente nada.
— Os servidores não respondem.
— Os computadores estão bloqueados.
— O sistema financeiro caiu.
— O sistema administrativo também.
— Tudo o que é digital simplesmente parou.
O coração de Umberto acelerou.
Naquele instante, percebeu que aquilo estava longe de ser uma simples invasão.
Era um ataque planejado.
— Estou indo agora.
Levantou-se imediatamente da cama.
— Em poucos minutos estarei aí.
Sem esperar resposta, encerrou a ligação.
Enquanto caminhava rapidamente em direção ao closet...
Ainda não fazia ideia de que aquilo era parte de um plano arquitetado nas sombras.