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Capítulo 35 — Cavalo de Tróia

Os passos eram rápidos.

Firmes.

Como se cada segundo fosse precioso.

A figura caminhava olhando discretamente para os dois lados da rua.

O céu já começava a escurecer.

A iluminação dos postes mal conseguia vencer as sombras daquela região estreita da cidade.

Definitivamente, aquele não era um lugar onde alguém com sua postura costumava frequentar.

O elegante sapato derby de couro caramelo ecoava sobre a calçada irregular.

A respiração permanecia acelerada.

O corpo rígido denunciava um nervosismo que tentava esconder.

Sem hesitar, atravessou a porta de um pequeno bar.

O ambiente era abafado.

Pouca iluminação.

Cheiro forte de bebida.

Fumaça de charutos pairando no ar.

Escolheu uma mesa afastada, quase escondida em um dos cantos.

Sentou-se.

A poltrona de couro antigo rangeu sob o peso do corpo.

Olhou para o relógio.

Uma vez.

Duas.

Três.

Impaciência.

O garçom aproximou-se.

— O de sempre?

Apenas um gesto afirmativo respondeu.

Poucos instantes depois, um copo foi colocado sobre a mesa.

A bebida forte desapareceu em um único gole.

Nem chegou a saboreá-la.

Continuou esperando.

Até que a porta voltou a se abrir.

Uma nova figura entrou silenciosamente.

Sem dizer uma única palavra, caminhou até a mesa.

Sentou-se de frente para quem aguardava.

Os dois permaneceram alguns segundos em absoluto silêncio.

Então veio a pergunta.

— O que deseja que eu faça?

A resposta foi imediata.

— É algo simples.

A mão deslizou lentamente para dentro do casaco.

Retirou um pequeno pendrive metálico.

Colocou-o sobre a mesa.

— Quero que instale isso no sistema de uma empresa.

O homem pegou o dispositivo entre os dedos.

Observou-o rapidamente.

Depois ergueu os olhos.

— Qual empresa?

A resposta veio quase num sussurro.

— Zanobi Corporation.

O silêncio pareceu ainda mais pesado.

O homem girou lentamente o pendrive entre os dedos.

— Ficará algum rastro?

Um leve sorriso surgiu no rosto do outro.

— Trabalho com isso há muitos anos.

Apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Se a segurança deles for realmente excelente, talvez percebam que houve uma invasão.

Fez uma pequena pausa.

— Mas nunca chegarão até mim.

Olhou fixamente para o contratante.

— E muito menos até o senhor.

Pela primeira vez desde que chegara ao bar, o homem pareceu relaxar.

Mas apenas por alguns segundos.

O hacker apoiou-se na cadeira.

Seu olhar percorreu lentamente a roupa elegante do contratante.

Parou no relógio.

Depois desceu até os sapatos.

Sorriu.

Um sorriso estranho.

— Belo relógio.

Silêncio.

— Belos sapatos também.

O contratante franziu a testa.

— Obrigado.

O sorriso desapareceu.

— Agora passe os dois para cá.

A expressão do homem mudou completamente.

— O quê?

— O relógio.

Fez outra pausa.

— E os sapatos.

Por um instante, tentou recusar.

Mas o hacker apenas afastou discretamente uma das abas do casaco.

O suficiente para revelar um objeto escuro.

Metálico.

Frio.

Brilhando sob a luz fraca do bar.

Não era necessário dizer uma única palavra.

A ameaça já havia sido compreendida.

Do lado de fora...

A noite continuava seu curso.

Ao deixar o bar, a noite já havia tomado conta da cidade.

Sem o relógio no pulso.

Sem os sapatos.

Apenas as meias protegiam seus pés do frio da calçada.

Curiosamente...

Nada daquilo parecia incomodá-lo.

Sua postura continuava impecável.

A cabeça permanecia erguida.

Os passos seguiam firmes, como se tivesse acabado de concluir um excelente negócio.

Parou na calçada.

Pegou o celular.

Solicitou um carro por aplicativo.

Poucos minutos depois, um sedã preto encostou discretamente.

Ele entrou no banco traseiro.

O motorista lançou um rápido olhar pelo retrovisor.

Franziu a testa ao perceber que o passageiro estava descalço.

— Senhor... aconteceu alguma coisa?

Por um breve instante, fez-se silêncio.

Então, um discreto sorriso surgiu em seus lábios.

— Não.

Olhou pela janela.

— Os sapatos estavam apertados.

O motorista soltou uma pequena risada.

— Ainda bem. Por um momento achei que o senhor tivesse sido assaltado.

Nenhuma resposta.

O veículo continuou seguindo pelas ruas iluminadas.

Após alguns minutos, o motorista voltou a puxar conversa.

— O senhor parece muito satisfeito.

Pelo retrovisor, percebeu aquele leve sorriso que insistia em permanecer.

— Aconteceu alguma coisa boa?

O homem permaneceu olhando para a cidade.

As luzes refletiam no vidro da janela.

Então respondeu calmamente:

— Ainda não...

Fez uma breve pausa.

Seu sorriso aumentou de forma quase imperceptível.

— Mas está prestes a acontecer.

O motorista sorriu sem entender.

— Que bom. Espero que dê tudo certo.

O passageiro continuou observando a cidade.

Desta vez, porém, murmurou tão baixo que apenas ele próprio pôde ouvir:

— Vai dar...

— Muito melhor do que eles imaginam.

A noite estendeu seu véu negro sobre a selva de pedra.

Pouco a pouco, as luzes da cidade foram se apagando.

Enquanto milhares de pessoas dormiam tranquilamente...

Em algum lugar, um plano começava a produzir seus primeiros efeitos.

Na manhã seguinte...

Pontualmente às nove horas.

O silêncio do quarto foi interrompido pelo toque insistente de um celular.

Trriiim... Trriiim...

Umberto despertou lentamente.

Ainda tentando reunir os sentidos, permaneceu alguns segundos imóvel sobre a cama.

A noite anterior havia sido longa.

Respirou fundo.

Só então estendeu a mão até a mesa de cabeceira.

O aparelho estava com a tela virada para baixo.

Ao virá-lo, viu o nome que aparecia no visor.

Vito.

Franziu a testa.

Atendeu imediatamente.

— Alô?

Do outro lado, a voz veio completamente diferente do habitual.

Apressada.

Tensa.

— Umberto!

— Vito? Aconteceu alguma coisa?

— Meu amigo... a empresa está um verdadeiro caos!

Umberto sentou-se na cama no mesmo instante.

— O que houve?

— Eu ainda não entendi direito!

A voz parecia cada vez mais desesperada.

— Todos os computadores começaram a apresentar um negócio estranho. Os sistemas simplesmente travaram.

Respirou fundo.

— E... você não vai acreditar.

— Fala.

— Apareceu um gatinho dançando na tela de todos os computadores.

Umberto permaneceu em silêncio.

Achou que tivesse ouvido errado.

Vito continuou.

— Depois da dança... aparece uma montagem sua.

— Minha?

— Sim!

— Colocaram dois chifres, um rabo e um tridente na sua mão.

Umberto passou a mão pelo rosto, tentando compreender a situação.

— Vito... isso é alguma brincadeira?

— Eu gostaria muito que fosse!

Do outro lado da ligação, era possível ouvir pessoas falando ao mesmo tempo.

Telefones tocando.

Alguém pedindo ajuda.

Um ambiente completamente desorganizado.

— Não temos acesso a absolutamente nada.

— Os servidores não respondem.

— Os computadores estão bloqueados.

— O sistema financeiro caiu.

— O sistema administrativo também.

— Tudo o que é digital simplesmente parou.

O coração de Umberto acelerou.

Naquele instante, percebeu que aquilo estava longe de ser uma simples invasão.

Era um ataque planejado.

— Estou indo agora.

Levantou-se imediatamente da cama.

— Em poucos minutos estarei aí.

Sem esperar resposta, encerrou a ligação.

Enquanto caminhava rapidamente em direção ao closet...

Ainda não fazia ideia de que aquilo era parte de um plano arquitetado nas sombras.

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