O silêncio daquela noite não veio pesado. Não. Veio estranho.
Era como se a casa estivesse funcionando normalmente, mas com um atraso invisível, como quando o som demora um segundo a acompanhar a imagem.
Fiquei mais tempo acordada do que pretendia. Não por medo. Por hábito antigo. O tipo de atenção que a gente desenvolve quando aprende a cuidar de alguém sem aviso.
Passei pelo quarto de Benjamin antes de subir. Ele dormia de lado, abraçado ao travesseiro, a respiração calma. A mancha de tinta a