Liana suspirou.
Não foi um suspiro de alívio, foi de cansaço.
Ela se afastou um pouco de Dante, o suficiente para quebrar o contato direto dos corpos, mas não o bastante para fugir dele de verdade. Ainda sentia o calor dele, a presença pesada, o cheiro que a prendia naquele espaço entre ir embora e ficar.
— Se você não está pronto pra contar… — começou, a voz mais baixa agora, menos acusatória — tudo bem.
Dante ergueu o olhar devagar.
Os olhos ainda carregavam sombras do passado que ele acabara de reviver. Sombras que não desapareciam só porque a música continuava tocando ou porque o restaurante estava bonito demais para comportar tanta coisa feia.
— Mas eu sei — Liana continuou. — Sei que você tá escondendo algo de mim.
Ela deu mais um passo para trás, apoiando a mão na mesa.
— E não é só sobre o seu irmão. É… maior.
O silêncio caiu entre eles como um peso.
Dante desviou o olhar primeiro, aquilo, por si só, já era uma resposta.
Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo, e então v