O ar estava frio.
Frio de um jeito estranho, como se a madrugada tivesse enfiado as unhas na pele dela e não quisesse soltar. Liana abriu os olhos com dificuldade, piscando devagar, tentando entender onde estava… mas tudo parecia fora de lugar.
O céu começava a clarear. Aquela luz pálida de amanhecer, cinza, sem cor, filtrando por entre as árvores altas como dedos fantasmagóricos.
E então ela sentiu a terra úmida sob as costas, o cheiro de ferro, o gosto amargo na boca.
Seu corpo doía, cada músculo gritando como se ela tivesse corrido quilômetros..
— Que porra…? — a voz saiu num sussurro rouco.
Ela tentou se mexer, só então percebeu que estava completamente nua. Seu coração disparou tão forte que por um segundo achou que ia desmaiar ali mesmo. Liana se ergueu num sobressalto, o corpo tremendo, os braços tentando cobrir alguma coisa, como se isso fosse adiantar em alguma coisa no meio do nada.
A floresta estava ao redor, silenciosa demais como se um grande predador estivesse a espreita