O carro seguiu pela estrada de volta à alcateia em um silêncio pesado.
Não era um silêncio confortável, era denso, cheio de coisas não ditas, de pensamentos que batiam nas paredes do peito como animais presos.
Dante dirigia com as mãos firmes demais no volante, o maxilar travado, os olhos fixos à frente como se qualquer desvio pudesse abrir espaço para algo que ele não estava pronto para enfrentar. O cheiro de raiva ainda estava nele, não aquela fúria explosiva que virava garras e dentes, mas algo mais frio, mais perigoso.
Kian, no banco de trás, não parava quieto.
— Papi… — chamou pela terceira vez em menos de dois minutos.
— Hm? — Dante respondeu sem tirar os olhos da estrada.
— Quem era aquele moço malvado?
Liana sentiu o corpo enrijecer.
Ela estava com Kian no colo, o menino apoiado contra seu peito, as perninhas dobradas sobre o banco. Passava os dedos pelos cabelos dele num gesto automático, tentando manter uma calma que não combinava de verdade com como ela se sentia por dentro